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Publicado 15/05/2018 16:09:36

Roberto Farias, Heródoto, Friburgo 200 anos

Roberto Farias e Heródoto Bento de Mello

Minha Friburgo Querida 

Perdemos Roberto Farias. Nunca o tivemos mesmo, exceto com a remota referência de ser um friburguense de renome. Roberto Farias é, pra gente, meio como a antiga Fundação Getúlio Vargas ou a atual Uerj, que fica tão escondida que só “parece” ser de Friburgo. Gostamos muito de dizer que fulano “é de Friburgo”. Temos isso como valor essencial.

Perdemos Heródoto Bento de Mello. Esse, o tivemos. Mas perdemos suas novas ideias para sempre. Algumas bem loucas, mas para essa cidade nossa, ideias bem avançadas, que pelo menos tinham o poder de nos fazer coçar a cabeça, enxergar adiante. Eu penso isso agora, não antes. Porque antes eu era uma crítica muito crítica e, verde ainda, não sabia dar o devido valor às correntes diferentes.

Pois bem. Se hoje, ao comemorarmos 200 anos de colonização suíça, podemos atravessar sem medo na faixa de pedestres em plena avenida Alberto Braune, isso se deve a Heródoto. Houve um tempo em que ele resolveu educar a população e colocou umas grades vermelhas – até bonitas, porque sempre lhe encantou uma cidade bonita – nas calçadas da avenida principal, para que os cidadãos só atravessassem na faixa. E, na faixa de pedestres, os carro eram obrigados naturalmente a parar, pois só assim era possível atravessar a rua.

Entre tantos, esse, posso dizer, foi um legado de Heródoto. Sempre que alguém faz alguma coisa boa no trânsito, me encanta. Porque há tantas coisas boas a serem feitas no trânsito e muitas delas não custam mais do que bom senso e tinta. 

Há muitas coisas boas que não custam dinheiro e que podem ser feitas por nossa cidade querida. Roberto Farias deixou seu legado no cinema. Foi além, seu legado não é municipal. Mas bem que poderia a cidade entender melhor o valor da cultura. Há friburguenses que viajam, fazem cursos caros, aprendem sobre vendas na era digital, descobrem vinhos, outros países, visitam museus, postam fotos e ainda não entenderam o poder de dar suporte econômico à cultura em Nova Friburgo. Os Estados Unidos seriam a mesma potência que é sem a indústria do cinema?

Enfim, temos que honrar o legado que nos deixam os que vão. E abrir os olhos para aqueles que os constroem diante de nossas vistas. Aos 200 anos de colonização suíça, vemos hoje muita gente boa trabalhando no teatro, no cinema, nas artes plásticas, na dança, na literatura em Friburgo. Temos atores, escritores, produtores, diretores, pintores, ceramistas, bailarinos, cantores, músicos, estilistas – gente de muito valor. Todos “de Friburgo”. Não são pedintes, são profissionais. Profissionais do encantamento.

Uma pitadinha mais de bom senso e teremos uma cidade muito melhor. Aos 200 anos, 201, 202... Nossa querida Friburgo merece o nosso melhor!

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