x
Publicado 11/07/2018 18:58:45

Porque a vida não basta

Nova Friburgo desde muito produz arte. E das boas. Não por acaso, somos considerados o berço dos Jogos Florais, temos uma academia de letras atuante, sociedades musicais centenárias, além de termos gestado tantos músicos, artistas e atores cujo trabalho hoje tem repercussão nacional. Mas, enfim. Tudo isso tem um começo, não é, caro leitor?

Esses movimentos de produção artística, ao longo dos anos, passam por períodos de grande efervescência, e outros não tão ativos assim e levantem as mãos para os céus, sorte a nossa estarmos vivendo no primeiro caso. Vamos para a nossa terceira festa literária, temos cafés literários, produções de livros, filmes – e até a implantação de um polo audiovisual. Mas o que vemos é só a ponta do iceberg, há muito mais gente produzindo arte. É incrível, meus amigos.

Acham que estou exagerando? Tem muita coisa boa acontecendo bem debaixo de nossos narizes, e não são bigodes. O Café Literário: a gente quer comida, diversão e arte, capitaneado pela professora Márcia Lobosco, ganhou recentemente o Prêmio Ricardo Oiticica – O Melhor em Práticas Leitoras, na categoria Mediação. Ocorre uma vez por mês na Livraria Sabor de Leitura e na Padaria Sans Souci.

E não é só isso!

A banda friburguense Paralelo 14, que toca rock clássico dos anos 80, esteve em março na 23ª edição do Ostrascycle, o maior evento de motociclismo do RJ e segundo maior do Brasil, e ficou em segundo lugar no concurso Ostrabandas – e isso eu fiquei sabendo numa conversa informal com amigos. A banda formada por Rocky Dutra Franco (vocal), Leo Darkenheart (guitarra), Cadu Teixeira (guitarra), Ricardo Calmona (baixo), Hebert Salgado (teclado) e Jefferson Moura (bateria) já gravou um CD, disponível na página no Facebook (https://www.facebook.com/bandaparalelo14) e tem participado de vários eventos dentro e fora da cidade.

O sucesso do Café Literário e do Paralelo 14 são só alguns exemplos de iniciativas, produções e projetos artísticos que vem acontecendo na cidade e que não nos damos conta por diversos fatores – os quais não cabem ser explorados nesta crônica, mas que devem ser motivo de reflexão. Há os músicos de rua, editoras, clubes de leitura, encontros literários em barzinhos, jornais literários, movimentos escolares e tantos outros, que precisam ser valorizados tanto quanto as nossas crias que tem repercussão nacional. Todos esses projetos precisam ter mais visibilidade e incentivo.

Isso tudo e muito mais, caro leitor, está acontecendo aqui, bem debaixo de nossos narizes, repito. E cabe a nós valorizarmos e incentivarmos a prata da casa da maneira como pudermos. Divulgando, criticando, comprando seus produtos, construindo relações e parcerias. Primeiro, porque a arte não é favor, é um trabalho como outro qualquer, e segundo, é uma necessidade dos seres humanos. Todos nós consumimos arte. Afinal, como disse o poeta, “a arte existe porque a vida não basta”.

George dos Santos Pacheco

georgespacheco@outlook.com

Comentários

Nenhum comentário nesta notícia. Seja o primeiro comentando abaixo!

Comente sobre esta notícia