Publicado 11/08/2015 10:14:20

O excesso da suplementação de antioxidantes no Exercício Físico

Os exercícios físicos extenuantes, devido ao elevado consumo de oxigênio ou por várias outras vias, geram um aumento na produção de espécies reativas de oxigênio (EROs) e radicais livres consequentemente levando ao estresse oxidativo o qual é caracterizado por causar danos em biomembranas além de vários efeitos nocivos à saúde.

Para tentar conter o estresse oxidativo, muitos desportistas e atletas estão fazendo uso de suplementos antioxidantes em demasia, principalmente das vitaminas A, C e E, além de selênio, polifenóis, ômega 3 entre outros, principalmente sem orientação de um nutricionista ou médico. Ainda não está claro se o exercício extenuante aumenta as necessidades de antioxidantes na dieta. Além disso, o excesso da suplementação com antioxidantes pode bloquear sinalizações que geram adaptações e impedir efeitos benéficos da hormese. O termo hormese tem sido usado para descrever um fenômeno de adaptação onde um agente químico ou fatores ambientais é capaz de induzir efeitos opostos em diferentes doses, sendo mais comum uma estimulação ou efeito benéfico em baixas doses e uma inibição ou efeitos nocivos em altas doses.

A produção de radicais livres pelo músculo esquelético é reconhecida desde a década de 1950, sendo ao final da década de 1970 realizadas as primeiras demonstrações que o exercício físico estava associado com o aumento na formação de EROs e radicais livres.

Algumas EROs são chamadas de radicais livres, essas moléculas são extremamente instáveis, apresentam meia vida relativamente curta e são quimicamente muito reativas sendo capazes de oxidar várias biomoléculas como carboidratos, aminoácidos, ácidos graxos e nucleotídeos.

O músculo esquelético forma EROs em baixos níveis durante o repouso e em altos níveis durante a contração. Portanto, exercícios físicos extenuantes, intensos e/ou de longa duração geram um aumento na produção de EROs. Com o aumento dos radicais livres, que provoca uma demasiada produção de intermediários reativos como proteínas carboniladas, malondialdeído e hidroperóxidos lipídios ocorre uma interferência nas vias bioquímicas normais das células sendo os principais componentes celulares atacados os lipídios, causando a peroxidação lipídica, que leva a formação de mais radicais livres e EROs, podendo prejudicar outros componentes celulares.

A formação exagerada de radicais livres leva a um desequilíbrio entre estes e o sistema de defesa antioxidante do organismo, que normalmente suprime tais radicais e seus efeitos danosos. Essa incapacidade do sistema de defesa antioxidante frente aos radicais livres provoca o chamado estresse oxidativo. O estresse oxidativo, que pode ser induzido tanto pelo exercício aeróbico quanto pelo resistido (musculação) causa danos em biomembranas e alterações em lipoproteínas plasmáticas provocando detrimentos em moléculas ou no organismo como um todo.

É de conhecimento que o corpo humano possui um complexo sistema de defesa antioxidante, formado por enzimas como a catalase, superóxido dismutase, glutationa peroxidase além da ação de muitos antioxidantes não enzimáticos como as vitaminas A, C e E, a glutationa, a ubiquinona e os flavonóides, que neutralizam os radicais livres e EROs formados continuamente no processo metabólico normal do organismo. Como o exercício aumenta a produção de radicais livres gerando estresse oxidativo, muitos atletas e desportistas fazem uso de suplementos antioxidantes para tentar controlar esse estresse.

Apesar da vasta aplicação da suplementação com antioxidantes, esta ainda não apresenta resultados consistentes. Assim como não está claro se o exercício extenuante aumenta as necessidades de antioxidantes na dieta. Os resultados de estudos com altas doses de suplementação antioxidante em atletas têm sido controversos, alguns apresentando efeitos positivos, outros efeitos negativos e outros ainda sem nenhum efeito.

Para alguns cientistas, uma vitamina considerada antioxidante pode exercer efeitos antioxidantes, neutros ou pró- oxidantes dependendo da dose e das condições experimentais. Altas doses de antioxidantes podem diminuir as adaptações celulares ao treinamento (como hipertrofia, melhora na performance) e os efeitos benéficos do exercício à saúde.

O estresse oxidativo ameno induz respostas adaptativas e aumento das defesas antioxidantes. Enquanto o estresse oxidativo severo causa danos oxidativos que podem levar a morte celular, danos teciduais e inflamação. EROs e radicais livres têm influência sobre vários processos, desde vias de transdução de sinais vitais até danos teciduais. Sendo responsáveis tanto pelos danos quanto pelas adaptações do exercício físico. O estresse oxidativo induzido pelo exercício não é somente prejudicial. Radicais livres e estresse oxidativo durante o exercício são importantes para a performance, recuperação e saúde.

Estudos indicam que para ocorrer às adaptações musculares é necessário haver um aumento nas EROs. As EROs não são somente agentes danosos, mas possuem um papel fisiológico agindo como sinalizadores em moléculas para iniciar adaptações ao exercício e regular a função muscular, promovendo a função contrátil e a promoção de força pelo músculo.

A expressão gênica é influenciada por EROs que estimulam a biogênese mitocondrial. O músculo adapta-se ao exercício por regulação da expressão de genes para enzimas antioxidantes, incluindo SOD, catalase e GPX. Suplementação de antioxidantes pode bloquear sinalizações oxidativas que geram adaptações. O Exercício físico aumenta a produção de EROs, podendo levar ao estresse oxidativo. Mesmo que este esteja associado a vários efeitos nocivos, o seu papel no exercício físico ainda não é bem conhecido. Apesar disso, muitos suplementos antioxidantes são utilizados para tentar evitar um alto estresse oxidativo. Embora o número de estudos mostrando resultados significativos desta suplementação seja muito pequeno. No decorrer do período de recuperação pós exercício os benefícios promovidos pela suplementação necessitam de maiores pesquisas. A ingestão inadequada de suplementos ou alimentos antioxidantes pode impedir adaptações metabólicas e fisiológicas do exercício.

Estudos a longo prazo sobre a real necessidade de antioxidantes adicionais a praticantes de exercício físicos se fazem necessários e de extrema relevância, para estabelecer parâmetros de utilização de suplementos e evitar o bloqueio de adaptações necessárias.

Antes de sair se entupindo de suplementos antioxidantes consulte sempre um Profissional de Nutrição Esportiva capacitado, só ele poderá avaliar suas reais necessidades junto a seu treinamento esportivo.


REFERÊNCIA:
Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, São Paulo. v. 5. n. 28. p. 326-335. Julho/Agosto. 2011. ISSN 1981-9927.

Quer ter um Plano Alimentar Individualizado, ligue e marque uma consulta 2520 5881 !!!

Débora Perçu Martins
Nutricionista Clínica e Esportiva 
CRN4 03100939

Comentários

Nenhum comentário nesta notícia. Seja o primeiro comentando abaixo!

Comente sobre esta notícia