Publicado 08/05/2019 11:58:10

Maio - Mês que evoca muitas lembranças

O quinto mês do nosso calendário gregoriano, MAIO, desde a época dos calendários romano e juliano, tem esta denominação, em homenagem à deusa Maia, deusa da fecundidade e da fartura, filha do deus Atlas.

Em nossos dias, devido às muitas comemorações nele contidas, é chamado de “Mês das Mães”, “Mês das Noivas” e de “Mês de Maria”.

No século passado, dos anos 40 aos 60, nas tardes de sábado, as cerimônias matrimoniais eram de tal número, que se sucediam, de meia em meia hora, na Capela de Santo Antônio, no Suspiro, e na Matriz (hoje, Catedral) de São João Batista ( Até algumas senhoras tinham por hábito, semanalmente, permanecer nestes templos, para apreciar os trajes das diversas noivas, das madrinhas e dos convidados). A decoração era singela, se limitando às jarras de flores, do altar, que para estas festividades eram arrumadas, com mais esmero, pelas devotas dedicadas às igrejas, assim como a interpretação das sacras melodias.

No coro da Matriz, dentre outras, se destacavam Diva Bachini no órgão, e Samira Baruque, no canto. Tal momento ficava registrado para a posteridade, por uma única foto dos empertigados noivos, na frente do altar, tirada por um fotógrafo profissional (Frederico Burkhardt, Luís Carestiato, mais tarde, Tanusse, “Preguinho” e “Miracema”) que, ao acionar um flash de magnésio, enfumaçava todo o local.

Naquele tempo, durante todo o mês de maio, as ladainhas em honra de Nossa Senhora eram muito solenes, rezadas ou cantadas em latim, nas casas, capelas (como na da primitiva Santa Casa de Misericórdia, na Rua Governador Portela, hoje, José Eugênio Muller), igrejas e na matriz.
Em nossa cidade, a mais famosa era a celebrada na capela do Colégio Nossa Senhora das Dores - que começava e terminava ao som do tradicional hino `Vinde Povos Colher Flores`- com a presença das alunas externas e internas, das noviças, das Irmãs Doroteias e demais devotos. As moças solteiras cobriam a cabeça com véu branco e, as senhoras casadas e viúvas, com véu preto. 

Detalhe da asa do anjo: organdi com frisos de purpurina

No dia 31 de maio, havia a cerimônia da coroação de imagem de Nossa Senhora, por meninas vestidas de anjo, sendo que a matriz possuía um grupo que participava das várias solenidades.

Os anjos da Matriz de São João Batista passaram a se destacar, por volta de 1948, quando uma senhora da sociedade carioca, D. Dora Yório, que veio residir em nossa cidade, ofereceu uma dúzia de asas ao nosso principal templo religioso. A grande inovação é que elas não eram de penas, como o usual, mas uma armação de arame em forma de asa, revestida de organdi, de várias cores: duas brancas, duas rosas, duas azuis, duas verdes, duas amarelas, duas lilás. Para substituir as várias ordens de penas, foram desenhados frisos de purpurina, na cor do organdi. Integravam o referido grupo de anjos as seguintes meninas: Eu, Lia El-Jaick, Raquel El-Jaick, Zélia Cortes Teixeira, Jane Carestiato, Maria do Carmo Carestiato, Maria Inês Jacob Santos, Marta Éboli, Laura Cileda Bassanni (que ficaria conhecida por catar lixo e andar com pesadas trouxas penduradas, no guidom da bicicleta), Cora Ventura e Margarida Ventura.

Anualmente, os anjos de asas de organdi faziam, também, a guarda do caminhão que seguia, em procissão, até a Casa dos Pobres, tendo por cima da cabine a imagem de São Vicente de Paulo e, na carroceria, os mantimentos arrecadados durante um mês, na Matriz de São João Batista.

Não só de religiosidade se compunha o quinto mês do nosso calendário, assinalando também, a data da fundação de nossa cidade -16 de maio- cuja festividade começava com o desfile cívico e, com atrações variadas, ao longo da tarde e da noite.

Nos primeiros anos da década de 1950, durante todo o referido mês, os “Festejos de Maio” tinham lugar, em nossa praça principal.

O trecho compreendido a partir das Ruas Galeano das Neves (do atual Friburgo Shopping) e Luís Spinelli (do edifício do mesmo nome) até seu final (não existia a rodoviária urbana) era todo cercado por esteiras, para que dentro deste espaço se erigisse o “Arraial do Morro Queimado”. Nele havia igreja, cadeia e o casario, composto por uma variedade de barracas de doces, chocolate, canjica, cachorro-quente, de prendas, etc. Auto-falantes alegravam o ambiente, com sons melodiosos de sucessos musicais da época - estimulando os enamorados à saudável prática do flerte - quando eram trocados, com muita emoção, longos e apaixonados olhares.

Tudo era muito ingênuo, singelo, saudável, emocionante e espontâneo. Por isto mesmo, marcou época, deixando uma imensa e profunda saudade.

Antigamente os noivos tiravam apenas uma foto no dia do casamento. Eu como dama de honra

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