Publicado 22/01/2020 11:57:43

Low Stress

Faz tempo. Após um longo período me dedicando somente a poesias, eis que retorno com meus pensamentos, deduções, manias de conspiração e bobagens afins. Se você fez um muxoxo, pode ser que você prefira a versão poeta do Pachecão – que nem ele sabia que existia – ou fica em estado de nervos com o teor das crônicas. Tanto em um caso, quanto no outro, vale a pena ir até o final – se tenho a despudorada cara de pau de escrever, é porque acredito no que escrevo, e se acredito, deve ter lá algo de relevante. E no mais, agora com uma pequena experiência poética, deve haver até um pouco mais de musicalidade e ritmo na crônica. Vai saber?

Faz tempo. Comecei a engordar após os trinta anos e isso não acontece de uma hora pra outra, mas acontece e se perde o controle. Cheguei a ficar quase 20 quilos acima do meu peso ideal. Imagina isso para um cara de um metro e sessenta e nove? Me colocaram o apelido de “Porquito” no trabalho porque eu estava parecendo um porquinho da índia. E estava mesmo. Nesse meio tempo passei por fases de comodismo, aumentando os números de roupa; de reconhecimento de um problema e procura de diversos tipos de dieta (acho que só não fui ao Kathmandu procurar a orientação de um monge); volta ao comodismo… até que a Dona Maria descobriu uma dieta perfeita: Low carb (e nessa categoria, a cetogênica) que consiste na redução drástica de carboidratos, um macronutriente base na geração de energia para o organismo, mas que para o Porquito faz a diferença para a manutenção ou perda de peso. Daí que em um mês foram dez quilos, em dois, treze. Praticamente tudo que eu precisava perder. É lógico que fiz um acompanhamento com nutricionista, qualquer tratamento deve ter esse apoio, não se engane.

Mas onde você quer chegar?

Daí que eu estava conversando com minha terapeuta (acha que vida de escritor é fácil?) e falei sobre um insight que tive: tracei um paralelo entre a dieta para perda de peso com um tratamento para ansiedade. Pois bem, já que o carboidrato me engorda, vou fazer também uma dieta Low stress – reduzindo ao máximo tudo que me estressa.

Cheguei à conclusão de que hoje vivemos sobrecarregados de tudo. Não temos mais paciência com nada nem ninguém porque estamos gordos de estresse. E tanto quanto à gordura abdominal, esse estresse a mais em nosso corpo nos prejudica e prejudica aos nossos pais, irmãos, esposas, filhos, colegas de trabalho… Então, o que me custa fazer essa dieta?

Assim como a dieta nutricional, a primeira questão é reconhecer que está com sobrepeso e procurar ajuda. Após isso, prescrito o “cardápio”, ter força de vontade e ser religioso com o que você quer seguir. Não se engane, os salgadinhos, doces, pizzas, refrigerantes, problemas no trabalho, nos relacionamentos, problemas financeiros, eles vão continuar a fazer parte do seu dia a dia. Cabe a você escolher o que vai consumir. Se você ingere mais do que o seu organismo pode processar, você engorda, se consumir menos, emagrece. Não é simples? Simples é, mas é difícil. Quem não sofre porque gostaria de enfiar o pé na jaca e comer o que tem vontade e foda-se se vai ficar barrigudo? Afinal, eu tenho que gostar de mim do jeito que sou, não é isso que todo mundo fala? Quem não sofre ao passar por uma situação estressante no trabalho e não comprar aquela briga? Ou num relacionamento? Você não quer ter razão? Todo mundo quer.

Mas é aí que está o pulo do gato: ser fiel e religioso e evitar ao máximo consumir o que te faz mal, pelo menos, não consumir tudo que lhe for oferecido diariamente. No final das contas você até acostuma, pode acreditar. E por experiência própria, garanto que dá certo, e dando certo, sua autoestima vai lá pra cima e aí vira um círculo vicioso em que você se motiva ainda mais. Pra ser sincero, eu até consegui emagrecer (e preciso manter o peso, que fique bem claro isso!), mas ainda estou no meio do caminho para perder meu stress a mais – até porque assim como a dieta nutricional, já estamos tão acostumados a viver um ritmo de vida errado que é muito difícil sair dele.

Enfim, entre alhos e bugalhos, qualquer dia eu volto aqui e digo que já cheguei no meu peso “stress” normal. Meta, promessa, objetivo… chame do que quiser, cara pálida. Quanto ao óbvio ululante, como diria Rodrigues, ninguém vai fazer isso por você não, chapa. Ninguém vai te pôr em dieta ou evitar o seu estresse. Isso aí é contigo. Low stress ou low carb, ou low qualquer coisa, só depende de você – e nem adianta botar na conta do nutricionista, do psicólogo, do padeiro, do professor ou do padre não, porque sozinhos eles não podem fazer nada por você.

Fica deitadinho aí eternamente em berço esplêndido pra ver o que acontece.

George dos Santos Pacheco

georgespacheco@outlook.com

Comentários

Marcus Figueiredo 24/01/2020 11:29:34

Excelente raciocínio. Parabéns pelo texto. Cabe a nós mesmos, sempre, decidir o que nos alimenta ou apenas nos engorda, em diversos sentidos da vida. Busquemos sempre pelas boas escolhas.

Angela Maria Magliano 23/01/2020 20:46:48

Amei ....bem autêntica!

Marcus Figueiredo 23/01/2020 11:31:32

Parabéns pelo texto. Excelente reflexão. Assim como ocorre com nosso corpo, nosso psicológico só se alimenta daquilo que fornecemos a ele. Cabe a cada um regular suas "dietas" e se "alimentar" daquilo que faça bem. Fácil, realmente, não é. Acredito que seja uma prova diária e constante observar nossos hábitos e perceber se o que estamos "ingerindo" nos "nutre" ou nos "engorda".

renato 23/01/2020 10:03:31

Sim, "estamos gordos de estresse". Falou tudo, George. Ah lembrei do Tim Maia, que resolveu fazer uma dieta e, em duas semanas, segundo ele, perdeu... 14 dias. kkk. O mundo é bom, Sebastião. Abração, George.

Mário Luiz de Souza Martins 23/01/2020 08:44:15

Achei muito interessante vou procurar refletir mais sobre o assuntoimportante obrigado!

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