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Publicado 15/03/2019 11:53:46

Filmes da semana 14/03 até 20/03

Estreia esta semana em Nova Friburgo O Parque dos Sonhos. Em uma primeira leitura podemos ter a impressão de se tratar de uma daquelas animações multicoloridas e musicadas para entreter as crianças, mas não se engane. O Parque dos Sonhos é uma daquelas gratas surpresas de uma produção que trabalha o universo infantil de forma inteligente e lúdica, fazendo através das metáforas e simbologias, um verdadeiro estudo da psique, enfrentando as perdas, frustrações, medos e alegrias que a vida proporciona. O enredo é sobre uma menina que deve lidar com uma possível perda que se aproxima, e cria um mundo fantasioso em um parque que necessita de ajuda. O parque como metáfora da vida se repete criando referências múltiplas. Os animais e as atrações também são personas que a menina precisa processar e entender, afinal tudo se passa na imaginação da pequena June. Visualmente, a animação teve um trabalho impecável, inclusive para o 3D. O diretor Ryan Brown conseguiu unir o sonho infantil, com assuntos complexos sem corromper a percepção da menina que mesmo sem compreender o todo, sabe dos problemas e tenta lidar com eles. Brown também optou por algumas linguagens mais adultas ao abordar o medo, com uma narrativa mais sombria e densa. Esse é um daqueles filmes que vai agradar a todos e despertar sentimentos variados por construir uma forte conexão com a nossa visão de mundo e vida pessoal. É inevitável a comparação com Divertidamente, apesar das diferenças estruturais. O único ponto que deixa a desejar, é o pouco desenvolvimento das personagens secundarias que desempenham uma função narrativa de impulsionamento da ação dramática sem o devido aprofundamento, como meros adereços. Fora isso, o filme é interessante, relevante, criativo e bem realizado. Vai virar referência e pode até acontecer uma continuação. Vale muito o ingresso e a indicação etária é livre para todas as idades.

A outra estreia desta semana é Maligno. Dirigido pelo habilidoso Nicholas McCarthy, esse filme entrega não só o bom suspense, mas vai além ao subverter o pensamento costumeiro na sociedade da relação entre pais e filhos. Não que isso seja uma novidade nos cinemas, mas é sempre impactante quando bem realizado. O enredo é sobre um menino que desenvolve um comportamento perverso aparentemente devido a uma reencarnação ou possessão, e sua mãe que precisa achar uma forma de ajudar seu filho. O problema central do roteiro, é a previsibilidade que não escapa do obvio e, mesmo com as cenas bem dirigidas, já sabemos o que vai acontecer em seguida em praticamente todo o filme. O final então, não daria para ter sido mais óbvio. Tirando isso, o filme tem qualidades e consegue prender pelo suspense bem conduzido. Taylor Schilling ( Orange is the new black) carrega o filme com uma ótima atuação e o restante do elenco, desenvolve bem seus papeis, mas sem um aprofundamento maior. Destaque para os diálogos quando o menino demostra seu lado mais sombrio, principalmente o que ocorrem na consulta com o Dr. Arthur Jacobson. Não sei como foi feita a dublagem ou a legenda, mas no original em inglês é algo bem perturbador por sair da boca de um menino. Com pontos fortes e baixos, o filme consegue através da direção, com uma proposta de construção de movimento de câmera lentos e fotografia escura, prender o público mas decepciona com um desenvolvimento incapaz de surpreender. Ficam as perguntas sobre o amor materno acima de tudo e os tabus que compõem essa relação. Vale muito o ingresso e a indicação etária é para maiores de 16 anos.

Sugestão:
Para assistir em casa a dica desta semana vai para O Menino que Descobriu o Vento. Adaptado por Chiwetel Ejiofor, esse filme conta a luta de um rapaz para ajudar sua família tentando construir uma turbina eólica com pedaços de árvores e ferro velho. Emocionante e inspirador, o filme vai além ao abordar questões econômicas, sociais e ecológicas e já está disponível no catálogo da Netflix.

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