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Publicado 09/02/2019 18:56:24

Filmes da semana 07/02 até 13/02

Semana com muitas estreias nos cinemas e a primeira que vou comentar é A Favorita. Você pode até não gostar do enredo ou de alguns caminhos que foram percorridos pelo roteiro, mas isso não vai mudar o impacto que esta produção vai causar em todos nós. Mais do que retratar a corte inglesa corte do século XVII no reinada da Rainha Ana, o filme revela  um retrato grotesco e absolutamente descompromissado com a realidade além dos muros do palácio. O diretor grego Yórgos Lánthimos, indicado ao Oscar em 2010 por Kynodontas na categoria de filme estrangeiro, utiliza de forma inteligente os recursos inerentes aos filmes de época, conseguindo imprimir uma marca e uma visão marcante, usando lentes que modificam o campo visual e as músicas como elemento sensorial. Destaque, claro, para o figurino e a cenografia que se utilizam bastante dos excessos e cores. O enredo é uma simples disputa pela atenção da rainha, em um intrincado jogo de conflitos e armações. As interpretações de Rachel Weisz e Emma Stone são poderosas e se encaixam perfeitamente como algozes, mas quem consegue se destacar é a Olivia Colman, mesmo presa a uma cadeira durante quase o filme todo. Yórgos Lánthimos nos entrega o melhor e o pior de uma corte alienada e decadente. O filme é grandioso, impactante e com personalidade própria. Mesmo perdendo ritmo na segunda metade e tendo algumas soluções fáceis ao final, estamos diante de uma obra relevante, artisticamente bela e que vai demorar para sair dos nossos pensamento. Vale muito o ingresso e a indicação etária é para maiores de 14 anos.

Estreia também essa semana em Nova Friburgo A Esposa. Apesar de todo o alarde e indicações a prêmios, como Oscar 2019 de melhor atriz, esse é um filme simplório, esquemático e apelativo que só está nos cinemas por conta do elenco e do tema tratado. O enredo é sobre um escritor que, ao ser escolhido como vencedor do prêmio Nobel, tem inicio a um crescente confronto com sua família por conta de seu ego e a diminuição do papel exercido arduamente por sua esposa em suas obras. O problema é que tudo facilmente é entregue e as soluções existem apenas para perseguir um objetivo. Falta sutileza e inteligência, como quando o escritor em diversos momentos, pede os óculos para sua esposa, como se ela fosse uma assistente, ou nas intromissões do biógrafo que somente servem como instrumento para o conflito, como um empurrão o tempo todo. Isso empobrece e narrativamente cansa. O resultado final é de que precisa-se perseguir um objetivo a qualquer custo. O que salva mesmo são as atuações da Glenn Close, do Jonathan Pryce e do Christian Slater. Outro aspecto positivo é a discussão sobre o abandono das carreiras ou submissão que muitas mulheres se sujeitam em relação aos seus companheiros. O resultado final é um filme mediano por ter um roteiro esquemático mas com boas atuações. Mesmo Glenn Close levando o Oscar 2019, o filme será esquecido. Ainda assim vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 12 anos.

A próxima estreia desta semana é No Portal da Eternidade. Essa é uma corajosa e bem sucedida cinebiografia dos últimos anos da vida do brilhante pintor holandês Vincent Van Gogh. Complicado imaginar como desvendar o olhar único e muito a frente de seu tempo, em contraste com seus problemas mentais e conflitos internos de um gênio, para o audiovisual sem o didatismo burocrático e apelativo, afinal, essa é uma tarefa impossível. Julian Schnabel conseguiu um grande feito ao tentar buscar o que realmente interessa exaltando o conservadorismo em conflito com o incompreendido, as nuances belas e explosivas de Van Gogh, e principalmente seu contato e paixão em retratar sua visão do que pode nos parecer simplório e corriqueiro. Schnabel usou cortes secos e impregnou as imagens com cores e gestos. Tudo centrado no protagonista interpretado magnificamente pelo ótimo Willem Dafoe. O que Dafoe consegue impressiona e emociona. Será um grande erro se ele não levar o Oscar de melhor ator em 2019. Outros atores orbitam Dafoe, como Rupert Friend, irmão que hora incentiva, hora tem duvidas do talento de Van Gogh, Oscar Issac que faz Gauguin, um contraponto e amigo e Mads Mikkelsen que presenteia a todos com um longo dialogo entre Van Gogh e o padre. Importante avisar que essa produção não é para todos, pode se revelar arrastada pela forma narrativa, mas a beleza do filme está nos detalhes, nas sutilezas e em alguns momentos, inclusive no que não se pôde ver. Lindo, emocionante e inquietante, essa é uma obra de arte digna e que, mesmo não conseguindo realizar a impossível missão de desvendar Van Gogh, revela muito da beleza e o desespero da mente e olhar do gênio e mestre que faleceu aos 37 anos e deixou uma obra eterna para todos. Vale muito o ingresso e a indicação etária é para maiores de 12 anos.

Para as crianças a estreia desta semana é Uma Aventura LEGO 2. Essa é a continuação da ótima surpresa de 2014 quando os bonequinhos e blocos coloridos apareceram nas telas com sarcasmo e cheios de autocríticas. O problema é que esse, na verdade é o quarto filme, não esqueçamos de LEGO Batman e LEGO Ninja, e mesmo tentando mudar um pouco a linguagem, os bonequinhos desta vez entregam mais do mesmo e a franquia atravanca narrativa e criativamente. Desta vez a animação inicia com o clima do recente Mad Max: Estrada da Fúria, mas logo esse viés se perde e se inicia uma aventura espacial. Existem alguns problemas no roteiro e em passagens entre narrativas, e o diretor Mike Mitchell trabalhou com uma linguagem mais infantilizada, como ele se acostumou a fazer. Não vai agradar muito aos adultos e as crianças, por motivos óbvios, não conseguem costurar as referências pop e os sarcasmos com facilidade. O grande problema mesmo, é que, apesar de divertido, principalmente o Batman e seu ego inflado e as esculhambações, incluindo a Marvel entre outros, o que sobra não traz nada de novo e está abaixo do que já foi feito. Nem as músicas salvam, apesar de funcionarem bem em alguns momentos, mas podiam ser melhores. Vai divertir e ainda funciona, mas a franquia precisa pensar em novos caminhos. Vale sim o ingresso e a indicação etária é livre para todas as idades.

A última estreia desta semana é Escape Room. Produção na linha de Jogos Mortais, ganhou destaque a se multiplicou pelas salas dos cinemas após alcançar a surpreendente bilheteria de quase dezoito milhões na primeira semana nos EUA, principalmente por ter tido um orçamento de apenas nove milhões de dólares. O enredo é sobre um grupo que se submete a um jogo para escapar de um local, perseguindo a aventura e um bom prêmio para quem conseguir. O problema é que logo no início eles percebem que não se trata de uma brincadeira, mas de uma questão de sobrevivência e são “jogados” de locais incandescentes ao gelo extremo, em um difícil e macabro jogo que vai exigir as melhores habilidades de todos. O diretor Adam Robitel, experiente em filmes de terror, consegue manter a tensão em um crescente até a parte final, quando o filme faz uma reviravolta que pode desagradar aos fãs de terror, construindo uma abordagem mais fantasiosa e buscando claramente uma continuação. Bom ver nos cinemas a bela Deborah Ann Woll com um bom trabalho, conhecida por Demolidor e True Blood. Escape Room agrada por se utilizar de um formato de forma criativa. Esse é mais um bom filme de terror de baixo orçamento que demostra a boa fase desse segmento. Vale sim o ingresso e a indicação etária é para maiores de 14 anos.

Sugestão:
A dica para assistir em casa esta semana vai para a segunda temporada para Bordertown. Original da Netflix, a série é um drama policial que ocorre na finlândia, em que um grupo de policiais, liderados pelo genial Kari Sorjonen, tentam desvendar crimes graves. Vale pela forma narrativa e as paisagens nórdicas.

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