Publicado 07/02/2015 08:01:59

Filmes da semana 06/02 até 12/02

Um bom filme que estreia esta semana é Leviatã. Para quem conhece um pouco a Bíblia vai lembrar do monstro de grandes proporções representante do quinto pecado, a inveja, que aterrorizava o imaginário dos navegantes na idade média. No filme, porém, nós humanos somos o Leviatã. Uma referência a Rússia pós guerra fria, repleta de corrupção, burocracia e abandono. A história é sobre o mecânico Kolia que luta contra um prefeito corrupto que tenta tomar sua terras. Com o prêmio de melhor roteiro em Cannes de 2014, o filme consegue dar um tapa na cara da sociedade, ressaltando a decadência humana, numa espécie de apagão ético, uma balança entre o poder, a impunidade e a corrupção. Não foi atoa que não pôde ser exibido na Rússia, mas é irônico ter sido escolhido para representar o país no Oscar 2015. Nós brasileiros, certamente vamos nos identificar. O filme tem belas paisagens, boas interpretações, um ótimo roteiro e a trilha sonora é do Philip Glass. Como estamos falando da Rússia, o roteiro ainda consegue incluir muita bebida e momentos engraçados. Resumindo, é uma obra complexa e muito relevante. Vale muito o ingresso e é sem dúvida uma oportunidade de ver um ótimo filme para quem gosta do bom cinema.


Outra estréia desta semana é o badalado O Destino de Júpter. Mais um filme de ficção científica dos irmãos Wachowski. O enredo é simples, Mila Kunis é uma espécie de Cinderela que se descobre rainha e entra numa corrida por uma espécie de trono intergalático. O interessante do filme está em outras questões abordadas. Um dos planetas, mais evoluídos tecnologicamente, pode desfrutar de uma vida longa se utilizando de um líquido produzidos através da morte de uma centena de seres humanos. A relevância disso está no fato de que nós fazemos isso. Escravizamos e matamos praticamente todos os seres com menos tecnologia ou menos inteligência do que nós no planeta Terra, sempre visando lucro, vaidade ou prazeres pessoais. A ficção científica tem sempre o poder de distanciar a realidade para discutir as mazelas humanas sem muita agressividade, afinal, é um outro mundo, não é real. Importante destacar a estética e a fotografia, principalmente na escolha da paleta de cores. O figurino, os efeitos e os cenários também merecem destaque. No mais, é o mesmo do mesmo. O roteiro não é bom, o ritmo demora a pegar e as interpretações não ajudam. Vale o ingresso pelo visual caprichado e para quem gosta de ficção científica. Vamos esperar uma melhor sorte para os irmãos Wachowski na próxima vez. Indicação etária é para 12 anos.

Para as crianças, estreia esta semana Bob Esponja: Um Herói Fora D'Água. A grande novidade desta vez esta no fato de que parte do filme acontece com efeitos em 3D e com interação de atores reais. Não que isso nunca tenha ocorrido antes em episódios anteriores para televisão ou no cinema, mas o formato busca uma linguagem mais atual que vai certamente agradar as crianças. Outro acerto para conquistar o público infantil é a parte em que a conhecida e inseparável turma do Bob Esponja ganham superpoderes. O roteiro, porém, escrito por oito pessoas, é confuso. Sei que estamos falando do Bob Esponja e, nesse caso, meio que tudo pode, mas a narrativa se perde. Outro problema é que não é tão engraçado como se espera. Independente disso, as participações de Antonio Bandeiras e Slash são boas e o Bob Esponja é tudo de bom. Vai agradar as crianças e os adultos. Vale o ingresso sim e a indicação etária é livre.

Por último temos a estréia de O Jogo da Imitação. Com oito indicações para o Oscar de 2015, incluindo os de melhor filme, ator, atriz coadjuvante, direção, etc. o filme é uma cinebiografia do matemático Alan Turing. Durante a segunda guerra mundial, Turing desenvolveu uma máquina que possibilitou decifrar a encriptação usada na comunicação pelo exercito alemão. Só esse fato já daria um bom enredo, afinal, especialistas estimam que Turing encurtou a guerra em dois anos e salvou mais de 14 milhões de vidas. A boa notícia é que o filme vai muito além do fato e foca na complexidade de um gênio homossexual perseguido e atormentado. O filme é todo certinho tecnicamente falando, a utilização de planos seqüência e a trilha sonora ditam o ritmo e o roteiro é bem escrito e inteligente. Outro ponto forte vai para a atuação do elogiado Benedict Cumberbatch e keira Knightley. Resumindo, é tudo que a academia gosta na hora de escolher os premiados ao Oscar. Dois problemas, porém, são determinantes e diminuem muito as chances na premiarão no dia 22. A narrativa é burocrática, não ousa, pouco cria e a questão do homossexualismo erra o tom, principalmente nas cenas com Keira. É um ótimo filme, que merece ser visto, mas não empolga. A indicação é para 12 anos mas só tem um pouco de violência, nada de mais.

Sugestão:

Minha indicação para quem quer ver um bom filme em casa vai para Elena. Dirigido por Petra Costa, o longa é um documentário baseado na vida da irmã mais velha de Petra. É uma leitura sensível que se utiliza de uma narrativa corajosa e uma estética primorosa. Em tempos de Oscar, vale dizer que foi pré-selecionado na categoria de Melhor Documentário.

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