Publicado 01/09/2017 17:35:07

Filmes da semana 01/09 até 07/09

Estreia esta semana nos cinemas Atômica. Com uma vasta carreira no cinema, David Leitch mostra que talento requer muito trabalho. Em seu segundo filme como diretor, Leitch faz cinema, faz arte e faz história. Atomic Blonde impressiona visualmente, narrativamente e musicalmente. Baseada na HQ The Coldest City, Charlize Theron é Lorraine, uma espiã britânica dedicada e implacável em plena guerra fria em Berlim. A narrativa se baseia nos acontecimentos em flashback, momentos antes da queda do muro de Berlim. O roteiro é bem construído apesar da trama simples e comum. Mas isso pouco importa. É inevitável a comparação da espiã Lorraine com a Mulher Maravilha. Forte, implacável e inabalável. Ela consegue ainda ser “humana”, mulher e, tudo isso, no salto. James McAvoy, Sofia Boutella, John Goodman, Bill Skarsgård, Toby Jones e Eddie Marsan completam um elenco primoroso e bem dirigido. A fotografia e a produção de arte são de tirar o fôlego. Não consigo imaginar como foi feita a palheta de cores. As composições de cena são narrativamente impressionantes, assim como as coreografias. Até o mais desatento espectador, nota estar diante de algo diferenciado. Mas o melhor ainda está por vir, a direção, que se destaca pelos diversos planos sequência, consegue compor uma linguagem bela, múltipla e que se encaixa usando talento, trabalho e conhecimento. E tudo isso enquanto ouvimos Under Pressure, Father Figure, Hungry Like the Wolf, Personal Jesus, só para citar algumas canções. Atômica é visualmente lindo, narrativamente forte e competente até o último segundo. Vale cada centavo do ingresso e a indicação etária é para maiores de 16 anos.

Outra estreia da semana é Dupla Explosiva. Irresponsável, descolado e engraçado. Três palavras que traduzem a essência desta produção que se utiliza de vários tipos de ferramentas narrativas, incluindo as condenáveis, para fazer uma sátira bem humorada dos filmes de ação. Ryan Reynolds é o heroi que segue códigos morais questionáveis, que tem sua carreira de segurança particular abalada quando ocorre algo inesperado com um cliente bem diante do seu nariz. Contratado para fazer a segurança de um criminoso, que é uma testemunha importante prestes a abrir o bico incriminando um poderoso ditador, ele vai precisar de muitas balas e improviso para cumprir sua tarefa e permanecer vivo. O filme acerta na dupla, Ryan Reynolds e Samuel L. Jackson que além de uma química excepcional, eles fazem um revival dos seu personagens clássicos e seus respectivos bordões. Essa brincadeira, mesmo com assuntos sérios, que deixa claro se tratar de um tipo de realidade paralela, com muita ação e humor, fazem deste um ótimo filme de entretenimento puro e sem qualquer outra pretensão. Para somar, ainda temos a presença sempre marcante de Gary Oldman como o vilão e Salma Hayek como uma mexicana estereotipada, garçonete, presidiária e lutadora. Só por isso já dá para sentir o clima dessa paródia que alfineta o politicamente correto e faz exatamente o que se propõe, entreter. Vale muito o ingresso, principalmente quem curtiu esse formato nos anos 80. A indicação etária é para maiores de 14 anos.

A última estreia desta semana é Emoji - O Filme. Essa é mais uma adaptação de “personagens” de aplicativos em dispositivos móveis a ganhar uma versão para o cinema. O problema é que diferente dos anteriores como Angry Birds, por exemplo, um Emoji não é realmente uma personagem, não teve uma vida pregressa ou mesmo um real propósito. É aí que os roteiristas tiveram uma ótima ideia. Os emojis ganharam pernas e braços e vivem em um celular. Cada um tem uma função e cada vez que um emoji é enviado, pelo celular, ele reproduz a mesma cara, seja feliz, espantado, mas sempre a mesma. Tudo muda quando um jovem emoji com problemas de adaptação ao modelo, faz a cara errada e uma possível formatação, apagar os dados do celular, que acabaria com a “cidade dos emojis”, pode estar a caminho. As possibilidades de articular piadas com tanto tipos de personas é infinita, mas aí que está o problema. A chance de cair no comum e tomar caminhos fáceis também é grande, e foi por aí que o roteiro optou. São várias as situações em que um emoji é inserido só para justificar a piada e a coisa toda desanda e perde o sentido. Uma pena, são centenas de personagens que trabalham com uma emoção ditatorial, que podem até gerar um debate consistente para a nossa sociedade. Os produtores não perderam a oportunidade em inserir todo tipo de merchanding com sistemas e aplicativos. Na verdade, essa pode ser a razão dessa animação existir e isso fica fortemente impresso. Forçado, apesar do contexto, tem o Candy Crush, Instagram, Facebook, só para citar alguns. Existe também uma lacuna quanto ao público alvo. É infantil para quem normalmente usa o emoji e, mesmo os pequenos que já usam, vão ter dificuldade em criar uma identificação. É uma animação que tem uma boa premissa, mas que desenvolve a jornada do rebelde Gene de forma preguiçosa. Vale o ingresso só mesmo para as crianças e com muita pipoca. A indicação etária é livre.

Sugestão:
Para assistir em casa a dica desta semana vai para O Exótico Hotel Marigold. É sempre bom o olhar do colonizador aprendendo com o colonizado. Cores e sabores são a marca mais incipiente da transformação. Atores maravilhosos e a noção de que sempre podemos transformar, norteiam um roteiro amarradinho e bem resolvido, até demais.

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