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Publicado 08/09/2017 17:05:13

Filmes da semana 08/09 até 14/09

Estreia esta semana em Nova Friburgo Polícia Federal - A Lei é para Todos. Raramente uma estreia nacional consegue ofuscar os lançamentos estrangeiros, e isso nada tem referência com arte ou cinema, mas com os acontecimentos atuais na política brasileira. Apesar de não ser necessário dizer, deixo claro que a análise é referente a obra audiovisual e nada mais. Isso, pelo fato do filme ter recebido 16 milhões em investimento de fontes desconhecidas e tratar de um assunto que tem polarizados o Brasil. O filme conta a história de como uma apreensão de cocaína em um caminhão de palmitos se transformou no maior escândalo de corrupção do país. O diretor Marcelo Antunez até conseguiu articular boas sequências de tensão e tentou dar ritmo aos acontecimentos, mas com personagens pouco desenvolvidos e diálogos cheios de trocadilhos sofríveis, a coisa toda não deu liga e parece que a correria para aproveitar o momento acabou com as chances de desenvolver uma boa construção narrativa. Para tentar resolver, os roteiristas desenvolveram a estratégia de ficar explicando tudo várias vezes, o que de fato, só piora. Antonio Calloni é o único que consegue desenvolver alguma complexidade, não que o elenco esteja mal, mas só como exemplo, Ary Fontoura que interpreta o Lula, causa uma gargalhada geral ao fazer uma voz rouca e deixa a pergunta: qual o motivo disso? Fazer chacota? O filme vai agradar a muitos pela postura didática, pela abordagem heroica que trata os policiais e pela forma como desenvolve o assunto. Infelizmente, narrativamente é tudo muito ruim. Esse é o primeiro de três filmes e vamos torcer para que o segundo consiga ou que queiram fazer cinema com relevância. Mesmo assim, o filme tem lá sua serventia. Vale o ingresso e a indicação etária é para maiores de 12 anos.

Outra estreia desta semana é IT: A Coisa. Remake de um clássico do terror dos anos 80, essa produção inicia a franquia (tempos modernos), com maestria, enchendo de orgulho os fãs de Stephen King. Fantasmas e monstros podem ser feios e cruéis, mas não chegam nem perto do verdadeiro terror que é alimentado dentro de nós e nas pessoas que nos cercam. King sabia disso e construiu uma personagem que materializa e se alimenta dos piores medos escondidos em nós. Pennywise é um palhaço, um símbolo bizarro do imaginário infantil, capaz de se materializar, mudar de aparência e está sempre pronto para atacar. O melhor de tudo, é que ele não vai matar até esvaziar as esperanças, em um jogo de tortura desesperador. Esse primeiro filme conta a época pré-adolescente de um grupo de excluídos que se unem para entender os desaparecimentos e enfrentar o palhaço que se apresenta para cada um deles. Apesar do estereótipo do grupo e dos demais, a escalação do elenco e a construção narrativa foram tão bem cuidadas, que as personagens possuem profundidade e criam identificação. Destaque para os meninos, principalmente a expressiva Sophia Lillis e Bill Skarsgård que dá complexidade ao Pennywise. O diretor Andy Muschietti consegue criar estranhamento e exaltar o melhor na maioria das cenas. Claro que ainda tem o susto pelo susto, mas isso não diminui a obra. Muitos vão lembrar da série Stranger Things, que bebeu no It original, até mesmo pela presença do Finn Wolfhard, mas são coisas muito distintas. Ainda sem data para a continuação que vai desenvolver a parte adulta das personagens, esse remake é o bom terror que sabe amedrontar, fazer rir e entreter durante todos os longos 135 minutos. Vale muito o ingresso e a indicação etária é para maiores de 16 anos.

Para as crianças temos a estreia do Lino - Uma Aventura de Sete Vidas. É muito bom podermos acompanhar a evolução da animação nacional. Se ainda não tem a excelência técnica dos maiores estúdios, já atinge níveis de qualidade satisfatórios e até podem impressionar. Nesse ponto, essa produção está de parabéns pela qualidade. Certamente foi um trabalho longo e cuidadosamente estudado, proporcionando ótimas sequencias e com propostas narrativas variadas. O enredo é centrado em um rapaz, voz do Selton Mello, que vive em um desastre social, sem dinheiro, azarado e com um trabalho enlouquecedor. Tudo ia mal até que a situação ainda piora quando uma magia o aprisiona na fantasia de gato. Na verdade ele vira um grande gato. O roteiro acerta quando foca nas questões sociais. Lino é desenvolvido como uma vítima que é abusado e explorado por tudo e por todos. O problema é como desenvolver essa abordagem sem criar uma vitimização exagerada tendendo para soluções óbvias. É nesse ponto que o roteiro falha. As soluções são incompatíveis e nada discutem de fato. Fica parecendo autoajuda de botequim. Mas temos que lembrar que discutir questões sociais com o público infantil não é simples e o resultado é bom, apesar de frustrante. Visualmente e tecnicamente, como já dito, a animação está de parabéns. A direção de Rafael Ribas também merece elogios com sequências firmes, bem articuladas e momentos lúdicos. Existe até um olhar mais artístico, tendendo ao surrealismo. Alguns elementos "americanizados" podem incomodar, mas precisamos entender que o mercado é globalizado e existe uma linguagem usada e aceita mundialmente, ainda que imposta pelo cinema norte americano. Esta é uma boa animação, apesar da solução capenga e sinaliza um futuro promissor para a animação nacional. Vale muito o ingresso e a indicação etária é livre.

Sugestão:
Para assistir em casa a dica desta semana vai para O Que Esperar Quando Você Está Esperando. Com todos os elementos de uma típica comédia de relacionamento, essa produção surpreende. Apesar dos clichês que não poderiam faltar, os acertos fazem o público rir e até se emocionar. Diálogos rápidos e inteligentes, o filme expõe, mas não esgota, as relações de casais em diversas situações com timing e bom humor.

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