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Publicado 06/10/2017 18:51:32

Filmes da semana 06/06 até 12/06

Estreia esta semana em todo Brasil o aguardado Blade Runner 2049. Trinta e cinco anos depois do original, qual seria o motivo de uma nova produção além de surfar na onda de um filme icônico de ficção científica que se tornou uma referência estética revisada ainda hoje? Conforme os nomes foram sendo anunciados percebeu se tratar de uma possibilidade legítima e bem intencionada que poderia render uma ótima continuação. O fato é que o filme é ótimo e o excelente resultado final tem seus motivos. Primeiro, as referência são fortes mas possuem personalidade. Visualmente é fiel ao original adicionando o apuro técnico atual, com cores intensas e efeitos digitais. As cores cobrem a tela com um amarelo alaranjado (ansiedade), tons de azul e vermelho (o herói) e uma mistura de tons de cinza cortados por estímulos de outras cores (decadência). A trilha, especificamente o Score, homenageia Vangelis e a fotografia compões jogos de sombras e fortes intensidades ampliando espaços e reduzindo as personagens. O elenco tem nomes consagrados como Harrison Ford, Jared Leto, Ryan Gosling, Robin Wright, assim como novos como a bela Ana de Armas. Tudo isso dirigido por Denis Villeneuve do recente A Chegada, funcionou como uma orquestra. Villeneuve trabalhou uma narrativa contemplativa na primeira metade e adicionou ação após a aparição de Ford que tem um papel pequeno, mas significativo. O enredo é sobre a luta dos dominados contra os dominadores. Humanos tem essa “necessidade” e arrogância de achar que tudo está aqui para os servir e, nesse futuro decadente, replicantes foram criados para este fim. Cópias escravizadas que são caçadas por K, sempre que não seguem as imposições. Essa era a essência do original e não só foi mantida, como ainda ampliada. O debate ganha novos níveis cumprindo brilhantemente o objetivo principal do gênero e enchendo de orgulho os fãs e apreciadores do bom cinema. Vale cada centavo do ingresso e a indicação etária é para maiores de 14 anos.

Outra estreia desta semana é Pica-Pau: O Filme. São incontáveis as gerações que cresceram assistindo o pássaro louco e politicamente incorreto se dar bem, ainda que cometendo atos criminosos. O Pica-pau roubava, enganava, usava as pessoas mas, também teve uma fase de bom menino. O desenho tinha uma estética própria, bons bordões e alguma elegância. Várias versões foram feitas e ainda são até os dias atuais. Seria inevitável um filme, afinal, público e carisma não faltam. Infelizmente o resultado foi um filme tipo B todo em live-action. Essa forma narrativa que mistura pessoas com desenho ainda não emplacou devida a dificuldade em passar algo crível, verossímil. As poucas produções que acertaram como Uma Cilada Para Roger Rabbit e Space Jam, por exemplo, tratavam os desenhos como desenhos, não tentavam misturar como se fosse algo normal. Complicado imaginar a pantera cor de rosa ou o próprio pica-pau das animações sentado ao nosso lado. Para piorar os efeito são ruins e não convencem, principalmente as interações com as pessoas. O resultado é uma realidade difícil de comprar. Independente disso, o filme tem os seus momentos, ainda que as piadas sejam muito infantis, consegue ter alguma graça. O roteiro também não ajuda, não pela trama simples, mas pelos diálogos sofríveis. É um filme que foi para o cinema por conta da popularidade, caso contrário viraria um DVD ou um clique em um sistema on demand. Uma coisa boa é ver o Pica-pau usando o lado sombrio, mas é claro que tem lição de moral e no final, tudo acaba bem. A brasileira Thaila Ayala faz a mulher fútil com jeito de vilã, mas esse não é um filme que possibilita boas atuações. Vale o ingresso somente para que gosta do topete vermelho e para um pouco de nostalgia. A indicação etária é livre.

Para as crianças estreia My Little Pony: O Filme. Confesso que tenho dificuldade para assistir e absorver esse universo. Não pela linguagem ou temas abordados, mas sim pela superficialidade. Sei que são brinquedos para meninas que vendem muito e são fofinhos, mas a ”personificação” para o audiovisual foi feita como se as personas vivessem em um estado raso emocionalmente e muitas vezes egoístas. O problema é que essa mesma abordagem foi levada para o cinema e aguentar mais de 10 minutos é complicado. O diretor Jayson Thiessen apostou nas cores e dinâmica de movimentos para impressionar e conseguiu. Mas só isso não basta, nem mesmo para as crianças. As sequências são confusas e com muitos detalhes e personagens. Cansa rápido, mas tem um bom alívio com as músicas que acompanham todo o filme. O enredo desenvolve um história de ganância e amizade sempre norteadas pela megalomania em tudo na cidade de Equestria. São várias lições de moral e reviravoltas, mas com personagens com ações duvidosas e muito estereotipados, fica raso e incoerente. Visualmente mais bem cuidado do que os anteriores que foram direto para home vídeo, mas somente isso. Vale o ingresso para as meninas mas sem esperar muito além de diversão e beleza, a indicação etária é livre.

Por fim, a estreia nacional desta semana é Chocante. A industria da música, principalmente a norte americana, sempre tratou o business acima da arte e não demorou para apareceram os grupos enlatados para adolescentes e outras bobagens que até hoje fazem sucesso. One Direction, Backstreet Boys, Spice Girls e até mesmo os Jackson 5 entram nessa lista. Produtores brazucas e apresentadores da televisão não demoraram para copiar e apareceram “grupos” como Dominó, Bom Bom, KLB, Polegar e outras pérolas. Como o produto é muito ruim, mesmo com uma divulgação massacrante, o tempo se encarrega de os enterrar e esse, é o argumento do filme. Chocolate é uma comédia tragicômica sobre essas personagens que contrastam entre o sonho vivido na adolescência e a mão pesada da vida. Tudo muito exagerado mas coerente narrativamente. Bruno Mazzeo já é experiente e sabe escrever e atuar. Na verdade Lúcio Mauro Filho, Marcus Majella, Débora Lamm, Bruno Garcia e até Tony Ramos formam uma turma talentosa e que funciona muito bem. O figurino e toda a produção de arte é muito bem cuidada com detalhes minuciosos dos anos 90. O enredo é sobre a tentativa de retorno do grupo após o falecimento do líder, só que 20 anos depois. Apesar de muitos acertos e de conseguir criar muitas situações engraçadas, o roteiro agarra e explica demasiadamente. Apesar de boas idéias, o desenvolvimento da trama é narrativamente monótona e acaba deixando o filme arrastado. Não que seja ruim, mas é muito tempo na mesma questão. Como eu disse, porém, Mazzeo jé tem experiência e ele sabe ler e ironizar comportamentos, assim como desenvolver um enredo inteligente. Pena mesmo é que parece que poderia ser mais, acredito até que o filme queria ser algo a mais, só que não é. Ainda tem o brinde do “choque de amor” que vai para casa com você, só avisando. Vale sim o ingresso e a indicação etária é para maiores de 12 anos.

SUGESTÃO
A dica desta semana para assistir em casa vai para Scorpion. Uma série da CBS sobre um grupo de jovens mentalmente dotados que desvendam as mais diversas situações com ciência e ação. Apesar das soluções capengas, o ritmo é bom, as subtramas criam empatia e a diversidade de personagens garantem sempre assunto. Bom divertimento!

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