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Publicado 03/07/2017 17:03:16

Sérgio Cabral faturava 'prêmios' por reajustes maiores em tarifas de ônibus no Estado, diz MPF

Sérgio Cabral, do céu ao inferno, está preso (imagem: arquivo)

O esquema de corrupção envolvendo o transporte público rodoviário no Rio de Janeiro é um dos mais antigos no estado e continuou beneficiando o ex-governador Sérgio Cabral e sua quadrilha mesmo após ele deixar o governo, segundo o procurador da República Eduardo El Hage. De acordo com as investigações, valores desviados indevidamente eram encaminhados para Cabral como "prêmios" em troca de benefícios para as empresas de ônibus - como a concessão de reajustes nas tarifas.

Dez pessoas foram presas na Operação Ponto Final - dois alvos de mandados de prisão estão foragidos e terão seus nomes encaminhados para a Interpol ainda nesta segunda, de acordo com a Polícia Federal. De acordo com as investigações, R$ 260 milhões em propina foram desviados das empresas de ônibus e pagos pelos investigados a políticos do estado.

Apenas Sérgio Cabral recebeu R$ 122 milhões em propina, segundo o MPF. Um dos benefícios concedidos pelo ex-governador e investigado pelo MPF é a autorização para um reajuste de 7% nos preços das passagens em 2009, quando ele deveria ter sido de 2%.

Através das propinas que eram pagas para o Tribunal de Contas do Estado (TCE) e para o Poder Executivo, os empresários conseguiam diversos benefícios, como a ausência de licitação, o reajuste do valor das passagens acima do previsto e isenções fiscais no IPVA e ICMS do diesel, por exemplo.

Para os investigadores, a organização criminosa que atua no setor de transportes também mostra indícios de "cartelização".