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Publicado 18/12/2015 10:50:45

Papai Noel existe? Qual é a hora certa para contar a verdade para o seu filho

Especialistas explicam até quando é saudável manter o conto do Papai Noel no imaginário infantil e qual o momento certo de contar

Lá vem o bom velhinho, puxando o seu trenó do Polo Norte com ajuda das suas renas e duendes. De chaminé em chaminé, ele passa a noite entregando presentes de Natal para as crianças que se comportaram bem durante o ano. A magia em torno da figura do Papai Noel é uma fantasia comum no imaginário infantil e faz parte de uma das festas mais esperadas do ano. Mas até quando devemos deixar que os pequenos acreditem no conto e quando é a hora certa para contar a verdade para eles?

Segundo o coordenador do curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Naim Akel Filho, valer-se do imaginário na criação dos pequenos é mais que recomendável. “O cérebro infantil fantasia antes de ter raciocínio lógico. Um dos estágios de organização cerebral é coordenado pelo processo natural de fantasiar”. “A fantasia é uma forma de você ajudar a criança a organizar seus afetos e as percepções de si mesmo e do mundo”.

Para Akel Filho, lançar mão de fábulas para transferir valores sociais é empregar uma linguagem que o pequeno está apto a processar. Por exemplo, falar sobre a importância da amizade lendo o célebre trecho de O Pequeno Príncipe em que a raposa explica o que é cativar e criar laços. “Isso é muito legal, muito saudável. É utilizar códigos linguísticos que um cérebro em desenvolvimento tem competência para entender. Jesus Cristo fazia isso ao contar parábolas: transformava lições sofisticadas em linguagem compreensível para o povo.”

A professora das áreas de letramento literário e educação infantil da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Elisa Maria Dalla-Bona concorda que o incentivo à fantasia é favorável ao crescimento: “Estimular a imaginação não é tirar a criança da realidade. É dar meios para que ela possa entender o mundo que a cerca”. A inventividade é inerente à infância e se manifesta o tempo todo. Como quando um menino monta no cabo de vassoura e faz de conta de que é um cavalinho”, compara.

De acordo com Susi Andrade, psicóloga do São Cristóvão Saúde, é a própria criança quem vai dar os sinais de que chegou o momento. “É saudável manter a fantasia enquanto o pequeno se permitir acreditar, é uma questão da imaginação e da criatividade dela”, explica. Ainda segundo ela, explicar a verdade para as crianças não às traumatiza. A única chance de gerar trauma é a de não respeitar o tempo da criança.

Fonte: viver-bem/comportamento