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Publicado 21/07/2014 12:14:42

Friburguense é destaque em site de canoagem

O friburguense Laercio Cito, destaque internacional de canoagem

O friburguense Laercio Cito foi destaque no Site do Sestaro, um dos mais importantes do país no ramo de canoagem. O site deu destaque ao fato de Laercio ser o  único brasileiro presente na Maui Jim Kaiwi Solo 2014 de OC1.

Confira a entrevista fornecida a publicação.

Primeiramente gostariamos de saber sua profissão: a canoagem é a sua profissão? Como você faz para conciliar a profissão e os treinos de canoagem? Complementa seus treinos com algum outro esporte?

Eu fui mergulhador profissional formado, por alguns anos no Brasil e me mudei para o Hawaii, onde atualmente tenho dois trabalhos totalmente diferentes. Trabalho em uma fazenda que produz plantas para decoração (Bromélias e Orquídeas) e frutas orgânicas, e também trabalho fazendo manutenção e reparo em embarcações. Foi a maneira que eu encontrei para arrumar algumas horas por dia para treinar. Canoa Havaiana é minha paixão porém não é meu trabalho, gostaria muito que fosse! E morar no Hawaii também não é barato. Então treino e trabalho, os dois estão sempre andando juntos. E eu complemento meus treinos com Mountain Bike, Corrida, Natação e sempre que posso, gosto de subir uma montanha.

E como você iniciou na canoagem? De alguma forma, a canoagem contribui para seu dia-a-dia nas suas profissões que exerce?

Meu primeiro contato com a Canoa Havaiana foi em Cabo Frio/RJ, eu sou de Nova Friburgo na região serrana do Rio mas me mudei para o litoral para ficar mais perto do mar, por volta de 2006. Minha iniciação foi em 2009 quando eu conheci os treinadores do Cabo Frio Hui Waa e do Cabo Frio Outrigger Club. A canoagem me ensinou a ter mais disciplina e foco em tudo que eu faço, com certeza contribui no meu trabalho, fazendo-me ter mais tranquilidade para enfrentar os problemas do dia a dia. Se eu treino de manhã, faz-me sentir mais leve durante a jornada de trabalho, se o treino e depois do trabalho funciona como uma terapia para desconectar dos problemas e renovar para o próximo dia.

Você que vive no Hawaii, um local de grande referência para a VA’A, popularmente conhecida no Brasil como Canoa Havaiana, e pelo que você vê dai, nosso país está vivendo um grande momento de expressão mundial na modalidade, principalmente por sediar em Agosto, o Mundial de VA’A Sprint? Alguns nomes de brasileiros são conhecidos ou comentados pelos havaianos?

A realização do Mundial de VA’A Sprint vai contribuir muito para o crescimento e reconhecimento do esporte, na minha opinião, o Brasil está no caminho certo, apoiando a modalidade com o Bolsa Atleta e criando remadores de nivél internacional na Va’a e também na Paracanoagem, iniciativa essa que não acontece nem aqui no Hawaii. Mantendo o foco, apoiando a nova geração e criando novos atletas, o Brasil vai estar entre “as grandes nações da Va’a” em um futuro bem próximo.

Vários atletas brasileiros são conhecidos pelos havaianos porém em grande maioria associado ao surf e stand up paddle, não muito na Va’a. Mas tenho certeza que isso irá mudar após o World Sprint no Brasil em agosto e também com um aumento de atletas competindo fora do Pais.

Conte-nos um pouco de como foi sua preparação para fazer a travessia Maui Jim PA’A Ka’iwi Channel Solo de 32 milhas. Você já tinha feito essa prova antes? Além de você, havia algum outro brasileiro competindo?

A MauiJim Kaiwi Solo é a prova que fecha a temporada de OC1 no Hawaii. A temporada começa com praticamente uma prova por final de semana, de janeiro à maio, aumentando a distância do percurso de prova ao longo da temporada, chegando o mais perto possível das 32 milhas (51km).

Eu comecei a me preparar 6 meses antes da travessia, com treinos variados de 1h a 2h por dia durante a semana e um treino longo ou competição no final de semana. Essa foi minha primeira travessia de Molokai para Oahu de OC1 e esse ano eu fui o único brasileiro. Considerado o ano mais competitivo da história da prova apesar das condições não estarem perfeitas, foi recorde de competidores masculino e feminino, com atletas de varias nações.

Em 2013 e 2014, a travessia Molokai to Oahu de Surfski não teve grandes condições, como realmente esperamos que ela deva ter. Por ser um local e uma prova de referência, como essa situação foi vista pelos atletas locais?

A travessia do Kaiwi Channel é conhecida por ser um dos maiores e mais prestigiados percursos de Downwind do Mundo, e todo competidor sonha em remar com condições favoráveis ao surf, com vento e correntes proporcionando uma travessia mais prazerosa e rápida. Mas a mãe natureza nem sempre joga a nosso favor. Uma vez que decisão foi tomada e toda logística de prova (que não é pouca) foi feita e seu nome está na lista, você tem que estar preparado para qualquer condição, seja um downwind de 3h30 ou 5 horas contra o vento, como foi no ultimo domingo.

Devido a falta de vento favorável nas ultimas edições, a organização “Paa Hawaii” mudou a prova de OC1 de abril para maio, mas não deu certo e tivemos outra travessia contra o vento e com tempo muito quente. Independente disso, para mim foi uma experiência inesquecível. Estarei lá ano que vem com certeza!

Você já tem outros planos traçados na canoagem para 2014? Quais teus objetivos nesse último semestre?

Com o fim da temporada de OC1, agora eu volto aos treinos em equipe OC6, com foco para a Molokai Hoe 2014, em Outubro. E algumas outras provas menores que acontecem durante a temporada de OC6.

Deixo esse espaço para que você mande uma mensagem aos leitores expressando livremente o que quiser:

O esporte é uma ferramenta fundamental para a sociedade, e nas mãos de pessoas bem intencionadas, se constroem seres humanos melhores, mais saudáveis e abrem novas oportunidades. O esporte é vida. Remem!!