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Publicado 04/09/2017 15:44:43

Inveja: Saiba reconhecer quando ela te pegou

Bancar esse sentimento é difícil, mas fará você amadurecer (e muito!)

Vamos começar desmistificando o tema? Todo mundo sente inveja, praticamente ninguém admite e não existe tal coisa como inveja branca ou boa. Aliás, há ódio e/ou desejo de destruir o outro.

É difícil pra caramba bancar uma inveja. Você mesma já se pegou pensando nas vezes em que sentiu inveja? Não? Então vamos entrar nesse caminho arenoso, se entender bem e poder mudar de fase na vida.

O que é inveja?
Trata-se de um sentimento humano primitivo que se caracteriza por ódio ou rancor em relação a algo de bom que o outro tem e o invejoso não. A inveja que alguém me causa leva ao desejo de atacar, ‘destruir’ (literal ou metaforicamente) o objeto bom.
A inveja explicita que não somos perfeito, por isso é tão difícil lidar com ela ou mesmo admitir que a sente. Ela fere meu narcisismo ao mostrar que o outro tem algo bom que eu não tenho . Pode ser desde um bem material, uma qualidade, um dom, uma característica positiva, etc.

De onde vem?
Se o sentimento é primitivo, a palavra tem origem no latim “invidere”, sendo que “videre” significa “olhar”. Por isso, há muitas expressões populares para falar da inveja, como “olho gordo’, “mau olhado” e “secar com os olhos”. Essa energia negativa está presente em várias línguas, é considerada um pecado capital e há objetos para se proteger contra ela. Variadas culturas fazem referência ao ‘evil eye’. Há vários amuletos, por exemplo, o nazar ou olho turco, uma pedra arredondada azul com o centro contendo círculos concêntricos que lembram um olho.

No indivíduo, a inveja já é observada ainda mesmo na infância. Ela faz parte da natureza humana.

Qual a diferença entre inveja e cobiça?
Elas são diferentes, mas andam de mãos dadas, viu? Nas semelhanças estão o sentimento negativo em relação a algo que o outro possui. A diferença é que na inveja queremos “destruir”, e na cobiça queremos possuir o que ela tem. É um movimento de querer ser como a pessoa (ou ter o mesmo que a pessoa) invejada. Pode-se também cobiçar algo mais abstrato (muito dinheiro, muito poder, etc.) para dominar os outros, algo ligado ao narcisismo.

Mas eu também causo mau olhado?
Deixando o “bom mocismo” de lado, quebrando todas as barreiras do narcisismo que nos impede de ver nossos defeitos, todos conseguimos chegar a um veredito único: todos sentimos inveja sim. E nem sempre a mesma situação pode provocar inveja em pessoas diferentes.
A inveja é um sentimento primitivo, imaturo que está latente em nós, podendo manifestar-se sempre que alguém ou alguma situação ‘puser o dedo em nossa ferida’, provocar o sentimento. Ela se estrutura de modo diferente em cada pessoa, conforme sua personalidade e dinâmica de funcionamento psíquico.

Como identificar que estamos com inveja?
Dificilmente você perceberá que está passando por uma “crise invejosa”. Isso acontece porque o sentimento é inconsciente. Ele chega sutil e intenso, tirando você de seu equilíbrio sem dar espaço para você se questionar. Muitas vezes, a inveja fica explícita para quem está observando a situação, mas não para o próprio invejoso que não percebe sua própria inveja, ou percebe, mas não quer dar o braço a torcer.
Para que ela não passe despercebida por você, lembre-se do ditado “quem desdenha quer comprar”. Fique atenta sempre que você desprezar, depreciar, menosprezar ou rebaixar alguém.

Existem pessoas reféns da inveja?
Apesar de todos temos uma certa dose de inveja, algumas pessoas são mais intensamente invejosas, e isto acaba prejudicando seu convívio com os demais. Elas são percebidas como pessoas que estão sempre boicotando o que os outros estão construindo ou trazendo ‘má energia’ aos demais.

Dá para reverter?
A boa notícia é que dá sim! A ruim é que é difícil domar essa fera porque ela está relacionada com a frustração de não ser como o outro ou não ter o que o outro tem. Se conseguimos perceber que estamos com inveja e reconhecemos nossa limitação em relação a algo bom que outrem possui, já é o primeiro passo.

Transformar a inveja requer um esforço racional de aceitação. É preciso superar essa frustração. Para isso, você deve tentar desenvolver em você mesma o “objeto da inveja”. Ou seja, se for algo material, como um carro, uma bolsa, um apartamento, lutar para obter esses bens ou entender porque tanto precisa deles e se precisa deles para ser feliz.

Caso seja do ramo sentimental, o ideal é buscar entender o porquê de você querer ser de outro jeito. A melhor forma de aprender a lidar com a própria inveja é buscando psicoterapia, especialmente de abordagem psicanalítica.

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