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Publicado 30/11/2016 09:34:58

Exercícios físicos estão ficando mais eficazes que remédios

O receituário médico do futuro será diferente. Provavelmente os garranchos dos doutores permanecerão, mas, em vez de sair do consultório com a prescrição de anti-inflamatórios, analgésicos e vasodilatadores, você levará um aconselhamento da atividade física ideal para manter – ou recuperar – sua saúde.

Não estamos falando da típica e abstrata orientação “você precisa fazer exercícios físicos”, e sim de uma direção clara da melhor forma de se movimentar para prevenir e tratar condições médicas já diagnosticadas ou para as quais tenha predisposição. Algo como a indicação de caminhada + ioga, ou corrida de longa distância + crossfit, por exemplo.

Pelo menos é nisso que apostam o U.S. National Institutes of Health e outros médicos e cientistas dedicados a descobrir exatamente como a atividade física age no corpo humano. Você já pode se beneficiar de algumas dessas descobertas, enquanto espera o momento em que vai trocar pílulas pelos treinos.

Alzheimer
Corrida de longa distância
Estudos em animais e pessoas têm mostrado que a atividade física é capaz de reduzir as perdas de massa branca e cinzenta do cérebro relacionadas à idade e aumentar a neurogênese adulta, que é a criação de novas células em um cérebro já maduro.

O que as novas pesquisas desvendaram é que a corrida de longa distância é a ideal para essa finalidade – o que a torna adequada para pacientes com potencial para o mal de Alzheimer ou em níveis iniciais da doença.

Em estudos com animais, a corrida longa demonstrou duplicar e até triplicar o número de novos neurônios que aparecem no hipocampo, uma área-chave do cérebro para a aprendizagem e a memória, em comparação ao cérebro dos animais que permaneceram sedentários. Os cientistas acreditam que o exercício tem impactos semelhantes sobre o hipocampo humano. Quanto maior a distância, maior o número de novos neurônios.

Disfunção erétil
Caminhada e ioga
Apenas 30 minutos de caminhada por dia são capazes de reduzir em 41% o risco de disfunção erétil. É o que aponta um estudo da Universidade Harvard. Outra pesquisa, essa conduzida por britânicos, atestou que um assoalho pélvico forte aumenta a rigidez durante a ereção e ajuda a manter o sangue no pênis, pressionando uma veia-chave da região. Exercícios para o asoalho pélvico são comuns na prática da ioga.

Artrose no joelho
Caminhada e musculação
O tratamento conservador para a artrose é baseado em quatro pilares: alongamento, fortalecimento, controle motor (equilíbrio) e perda de peso. Muitos pacientes com artrose dos joelhos, quadris e lombar mantêm a doença controlada através de exercícios. A hidroginástica é muito utilizada pelo baixo impacto, porém diversos estudos mostram que caminhadas diárias também trazem benefícios, pois melhoram a lubrificação e a nutrição das cartilagens.Atividades como pilates, ioga e musculação contribuem muito para o ganho de força e controle motor.

Dores na coluna e hérnia de disco
Natação e pilates ou treinamento funcional
Muitos pacientes portadores de degenerações na coluna ou hérnias de disco são completamente assintomáticos.  Em 2015, foi publicado na Revista Americana de Neurorradiologia estudo em que pacientes sem nenhum tipo de dor foram submetidos à ressonância magnética da coluna. Mais de 40% dos indivíduos acima dos 30 anos tinham algum grau de degeneração discal e, entre aqueles acima de 50 anos, 45% possuíam hérnia discal. Para evitar e tratar o mal, invista em perda de peso através de atividades aeróbicas e fortalecimento muscular, principalmente com ênfase no abdome e na região lombar.

Câncer
Musculação, pilates e caminhada intervalada
Quem está em tratamento contra um câncer sofre perda de peso intensa, além de fadiga e falta de força. Com liberação médica, o exercício de força pode prevenir a perda muscular acentuada e melhorar a sensação de fadiga. A musculação bem dosada, ioga, pilates e caminhada intervalada com trote mantêm a disposição.

Labirintite e outras desordens do equilíbrio
Tai chi chuan e ioga
Apesar da vontade incontrolável de permacer imóvel, a melhor forma de encarar esses distúrbios é colocar a estabilidade à prova. Dois estudos avaliaram o equilíbiro, um em idosos submetidos a algumas semanas de tai chi chuan e outro em atletas após dez semanas de prática de ioga. O resultado provou que as modalidades aumentam potencialmente o equilíbrio.

Parkinson, diabetes, doenças pulmonares e cardíacas
Treinamento intervalado de alta intensidade– HIIT
Diferentemente do que se acreditava até agora, portadores desses males não estarão eternamente presos a atividades físicas monótonas. Estudos sugerem que o HIIT não só é seguro para a maioria dos doentes, mas mais eficaz em prevenir ou reverter os déficits associados a muitas doenças crônicas do que as atividades aeróbicas de baixo impacto. Os pesquisadores descobriram que levar o corpo próximo ao limite por períodos muito breves, intercalados com períodos de descanso, traz mais benefícios para a melhoria cardiovascular, respiratória, metabólica e das funções mecânicas.


DAQUI PARA FRENTE
O que os cientistas farão para tornar a atividade física seu melhor remédio
O U.S. National Institutes of Health (NIH) vai lançar em 2017 um estudo de US$ 170 milhões, com mais de 3 mil participantes, sobre a ação da atividade física no corpo humano. Os voluntários, das mais variadas idades, serão sedentários e começarão um programa de exercícios supervisionado. Eles farão doações de sangue, gordura e músculos antes e depois das atividades. Os cientistas vão analisar essas amostras em busca de pistas de como a atividade física modifica cada molécula do corpo.

Paralelamente, serão analisadas amostras de tecidos do cérebro e pulmão de animais que passarão pelo mesmo programa de exercícios, já que a extração desse material em humanos é muito arriscada. Um estudo com essas dimensões e rigor nunca foi realizado. Os pesquisadores do NIH esperam que os dados convençam os médicos a tratar a atividade física como “o remédio milagroso” que eles acreditam ser. Como álibi, eles usam a constatação de que quem cumpre a recomendação de prática de atividade física da OMS pode ter sua expectativa de vida aumentada em até quatro anos.

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