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Publicado 16/06/2017 11:03:31

Ex-alunos fazem campanha para ajudar professoras de francês em Friburgo

As Madames Simonne e Odette

Por Tiago Rogero - O Globo

Num tempo em que toda moça de família chique do Rio tinha de aprender francês, as irmãs Simonne e Odette Mathieu ensinaram a língua de Voltaire nos mais tradicionais colégios da cidade: Sion, Santo Inácio, Santa Úrsula, Padre Antônio Vieira... A história da dupla, por aqui, começou em abril de 1939. De lá para cá, criaram uma rede de carinho tão grande que, agora, um grupo de ex-alunos está fazendo uma campanha para ajudar as duas, hoje com 95 e 87 anos, que moram sozinhas, com quatro cachorros, num sítio de difícil acesso em Nova Friburgo, a 136km do Rio.

Começou com um post no Facebook. Depois, virou grupo de WhatsApp e, agora, a turma se organiza pelo www.somostodossimonneeodette.com.br para conseguir doações e ajuda. “A campanha teve início no dia 24 de maio e já conseguimos levar uma médica para vê-las, uma veterinária para os cachorros, além de exames e remédios”, diz uma das organizadoras, Karla Fonseca. Mas o principal, ela destaca, é a quantidade de relatos que elas têm recebido sobre a importância das professoras na vida de cada ex-aluno.

Uma delas é de ninguém menos do que... Ana Botafogo, nossa grande bailarina, que foi aluna de Madame Simonne no Santa Úrsula, em Laranjeiras. “Tenho recordações muito boas, de quem me ensinou com seriedade, mas muito carinho”, disse Ana. Ela lembra que o ensino de francês sempre foi um dos pontos fortes do colégio, e as alunas ficavam mais animadas por estarem aprendendo com uma francesa. “Foi com esse francês que, depois, viajei para a França e me dei muito bem”, contou a bailarina, cujo primeiro contrato profissional foi no Ballet de Marseille, aos 18 anos.

Com um ano a menos, Simonne chegou ao Rio (Odette tinha 8). A primogênita conta que, desde criança, sempre sonhou em ser professora. “Todo dia, eu dava aula para minhas 24 bonecas”, lembra. Ela e a irmã chegaram a voltar à França para concluir os estudos, mas logo depois retornaram ao Rio, de onde nunca mais saíram. Não tiveram filhos. “Os meus alunos são os meus filhos”, conta Madame Simonne, animada com as visitas que têm recebido. Que, neste ocaso, a vida sorria para as duas.

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