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Publicado 13/07/2017 14:49:18

Estudo da Firjan diz que Centro-Norte registrou média de 24h sem energia elétrica em 2016

O fornecimento de energia elétrica no estado do Rio piorou nos últimos cinco anos. De acordo com o estudo "Retrato da Qualidade da Energia no Estado do Rio de Janeiro", divulgado pelo Sistema Firjan, em média, os municípios fluminenses ficaram 25 horas sem energia em 2016. Na comparação com 2011, o tempo de interrupção aumentou 10,2%. A média nacional é de 16 horas sem fornecimento. "Um cenário assim afasta novos investidores e inibe qualquer iniciativa de expansão", disse o vice-presidente do Sistema Firjan, Carlos Mariani Bittencourt, o evento de lançamento esta semana.

No Centro-Norte, os casos mais preocupantes são os dos municípios de Sumidouro e Trajano de Moraes. Sumidouro, que registra a mais baixa qualidade da energia na região, com 18,30 ocorrências e 43,81 horas de interrupções em 2016, tem na falta de energia um grande gargalo ao desenvolvimento industrial. A indústria local é concentrada no setor de confecções e na fabricação de brocas e peças de mineração e de transformadores elétricos. Setores altamente demandantes de energia, em quantidade e qualidade. Trajano de Moraes tem como forte o ramo agropecuário, mas possui grande potencial turístico, com destaque para o turismo ecológico e de aventura, mas a baixa qualidade da energia é um dos problemas para o desenvolvimento do setor, tendo registrado 11,90 interrupções de energia em 2016, com 30,45 horas de duração.

Nova Friburgo, principal economia da região e município com maior peso industrial, registrou 10,74 horas e 7,75 ocorrências de interrupções de energia em 2016. Apesar de estar abaixo da média nacional, esse fator ainda pode gerar prejuízos ao município, considerado a capital da moda íntima do estado devido ao grande número de confecções, além de contar com muitos estabelecimentos metalmecânicos e gráficos, todos altamente demandantes de energia. Cantagalo, maior polo cimenteiro do estado, registrou a menor frequência de interrupções na região, com 9,06 ocorrências e 14,85 horas no ano passado. Mesmo sendo os municípios com menores índices na região, a qualidade da energia é um entrave na atração de novos investimentos.

O presidente da Representação Regional FIRJAN/CIRJ no Centro Norte Fluminense, Carlos Eduardo de Lima, lembra que o assunto foi discutido no Mapa do Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro e que melhorar a qualidade da energia está entre as ações prioritárias para os empresários da região: "Estamos buscando cada vez mais nos aproximar das concessionárias da região para dialogar e cobrar medidas que possam garantir o fornecimento adequado".

De acordo com o Sistema FIRJAN, o acesso à energia elétrica com qualidade, segurança e a preços baixos é fundamental para o desenvolvimento socioeconômico e industrial. Para melhorar o serviço oferecido no estado, a Federação das Indústrias defende investimentos por parte das distribuidoras, além de uma modernização da regulação a partir de uma visão integrada de todo o setor. As propostas apresentadas pelo Sistema FIRJAN para a melhoria do ambiente regulatório são a criação de indicadores que mensurem as interrupções abaixo de três minutos, a identificação das classes de consumo nos conjuntos elétricos, o desenvolvimento de pacotes de fornecimento de energia elétrica com qualidade e preço diferenciado para a indústria e o estímulo à expansão das redes inteligentes de energia, as chamadas smart grids.

Segundo o superintendente de Concessões, Permissões e Autorizações de Transmissão e Distribuição da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Ivo Sechi Nazareno, a agência tem trabalhado para encontrar, cada vez mais, a relação de equilíbrio entre qualidade, investimento e tarifa. O presidente da Enel Distribuição Rio, Ramon Castañeda, citou algumas das medidas que a empresa vem adotando para melhorar a qualidade do fornecimento de energia. "Temos um plano de manutenção e identificação de defeitos na rede, assim como investimentos para a melhoria da rede e a adoção de novas tecnologias", comentou Castañeda.

Também participaram do seminário o presidente da Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica), Nelson Leite, e o presidente do Conselho Empresarial de Energia Elétrica do Sistema FIRJAN, Sergio Malta. Representando os consumidores industriais, também estavam o presidente da Abrace (Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres), Edvaldo Santana, e o presidente do Sindisal (Sindicato da Indústria de Refinação e Moagem de Sal do Estado do Rio de Janeiro), Luis Césio Caetano. No encontro, o Sistema FIRJAN lançou seu novo site de energia elétrica (www.firjan.com.br/energiaeletrica).

RESPOSTA DA ENERGISA:

Na matéria 'Estudo da Firjan diz que Centro-Norte registrou média de 24h sem energia elétrica em 2016, em relação à informação de que município de Sumidouro/RJ teria a pior qualidade de fornecimento de energia elétrica na região Centro-Norte que consta em estudo realizado pela Federação da Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, FIRJAN, a Energisa esclarece que, para as suas 4.059 unidades consumidoras atendidas na cidade, a disponibilidade do serviço no ano de 2016 foi, em média, de 99,74%, com 22,81 horas de interrupção em 14 eventos. Esses resultados são muito melhores do que aqueles apontados no estudo da FIRJAN.   

Para chegar nos resultados do seu estudo, que colocam de modo equivocado Sumidouro/RJ em uma condição precária de atendimento, a FIRJAN usou metodologia própria que considerou o desempenho de 81.403 unidades consumidores da região e atendidas por outras distribuidoras, todas como sendo de Sumidouro/RJ. Isso representa cerca de 5 vezes a população inteira do município, o que evidencia uma grave distorção no estudo realizado, que não observou as disposições estabelecidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica, ANEEL, responsável pela apuração dos resultados da qualidade e fiscalização do serviço.

A Energisa reitera seu compromisso com o aprimoramento contínuo da qualidade do serviço prestado aos seus consumidores no estado do Rio de Janeiro, tendo investido nos últimos 5 anos mais de R$ 70 milhões em melhoria, modernização e ampliação do sistema elétrico. Nos próximos três anos (2017/2019), serão mais R$ 30 milhões, para manter a efetiva evolução do seu desempenho operacional.