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Publicado 09/12/2018 08:16:14

Esquema de indicações em troca de apoio na Alerj tem mais de 20 anos, diz deputado preso

Políticos presos na operação Furna da Onça

O esquema de indicações a cargos no governo do estado exposto na Operação Furna da Onça já durava pelo menos 20 anos. É o que afirma um dos 22 presos pela força-tarefa da Lava Jato no dia 8 de novembro, deputado estadual André Correa (DEM). Ele e outros seis deputados foram presos pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro.

A afirmação do parlamentar foi feita em depoimento à Polícia Federal prestado no dia da operação. Os presos admitiram que indicaram aliados para cargos estratégicos em diferentes órgãos do governo estadual.

À PF, André Correa disse que a prática vinha desde que entrou na Alerj, em 1998. Segundo o deputado, os mais votados em cada região indicavam pessoas para exercer funções públicas -não só na esfera estadual, como também na municipal e na federal.

A Furna da Onça descobriu que parte dos cargos era no Detran - mas também havia o pagamento de mensalinhos que chegavam a R$ 400 mil. Correa admitiu que a manobra era para construir maioria parlamentar, ou seja, participação política no governo.

O ex-secretário de governo de Luiz Fernando Pezão, Afonso Monnerat, admitiu saber que deputados estaduais solicitavam indicações de pessoas residentes nas regiões em que foram eleitos.

A Furna da Onça

As investigações apontam que os envolvidos recebiam propinas mensais que variavam de R$ 20 mil a R$ 100 mil - além de cargos - para votar de acordo com o interesse do governo. O esquema teria movimentado pelo menos R$ 54 milhões, segundo a PF.

De acordo com as investigações, a organização criminosa, chefiada pelo ex-governador Sérgio Cabral, pagava propina a vários deputados estaduais, a fim de que patrocinassem interesses do grupo criminoso na Alerj.


O “mensalinho” era resultado de sobrepreço de contratos estaduais e federais. De forma ilícita, os parlamentares eram beneficiados ainda com o loteamento de cargos em diversos órgãos públicos do estado, como o Detran, onde poderiam alocar mão de obra comissionada ou terceirizada.

Procurador-regional da República, Carlos Aguiar explicou que cargos públicos foram dados como moeda de troca - e citou “propinolândia” na Alerj‬.

‪“As investigações demonstraram que esses personagens lotearam o Estado do Rio de Janeiro para viabilizar a execução dos seus interesses políticos. Alerj se tornou propinolândia.”

"O Detran era manipulado para a realização de atividades de interesse de grupos corruptos. O deputado Paulo Melo era considerado o “dono” do Detran", disse a delegada Xênia Soares, da PF.