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Publicado 29/10/2015 12:19:39

Caminho para cura do câncer pode estar na malária

Cientistas podem ter encontrado uma maneira de reverter células cancerosas para o tecido saudável

LONDRES - Cientistas podem ter dado, acidentalmente, um enorme passo em direção à busca da cura para o câncer: uma proteína malária, que poderia ser uma arma eficaz contra a doença.

Pesquisadores dinamarqueses estavam à procura de uma forma de proteger as mulheres grávidas contra a malária, o que pode causar enormes problemas porque ela ataca a placenta. Mas acabaram indo além. Eles combinaram um pouco da proteína utilizada na vacina contra a malária combinada com uma toxina e descobriram que o resultado poderia ser a liberação de toxinas capazes de matar células cancerígenas.

Os cientistas descobriram que, em ambos os casos, a proteína da malária atribui-se ao mesmo hidrato de carbono. É as semelhanças entre essas duas coisas que poderia ser explorada na busca pela cura. O hidrato de carbono assegura que a placenta cresça rapidamente. Mas a equipe por trás das novas descobertas detalharam como ele tem a mesma função em tumores - e o parasita da malária se liga às células cancerosas da mesma forma, o que significa que pode matá-las.

Há muito tempo os pesquisadores estavam procurando por uma forma de explorar as semelhanças entre placenta e tumores.

- A placenta é um órgão, que dentro de alguns meses cresce a partir de bem poucas células e abastece o embrião com oxigênio e nutrientes em um ambiente relativamente estrangeiro. De certo modo, tumores fazem a mesma coisa, eles crescem agressivamente em um ambiente relativamente estranho - disse um dos autores do estudo Ali Salanti, da Universidade de Copenhague.

O processo já foi testado em células e em camundongos com câncer, com os achados descritos em um novo artigo para o periódico “Cancer Cell“. Os cientistas esperam que possam começar a testar a descoberta em humanos nos próximos quatro anos.
As maiores dúvidas são se a toxina vai atuar em seres humanos e se o corpo humano pode tolerar as doses necessárias sem desenvolver efeitos colaterais, disse Salanti.

- Mas estamos otimistas porque a proteína parece apenas juntar-se a um hidrato de carbono que só é encontrado na placenta e em tumores de câncer em pessoas - acrescentou.

Fonte: O Globo