Impressões

com Marcia Savino Rocha

Um breve passeio em "Nová Friburgô"

O célebre Heródoto (o doutor local e ex-prefeito, não o historiador grego) é conhecido também por insistir que a gente chame a nossa cidade pelo nome completo: Nova Friburgo. Mas soa carinhoso e, de certa forma, hype, quando falamos: Friburgo. É assim que os cariocas se referem à gente e, bem... isso conta. Há muitas formas de ser carinhoso para falar de Friburgo. Um amigo muito antigo costumava dizer, ou melhor, escrever: “aqui em NoFri, etc”. Tenho uma amiga daqui que pergunta se eu vou pra Fri, se eu estou em Fri. Uma galera grande fala Friba, vou pra Friba. Aí recebo o email de resposta do embaixador da Suíça, a quem enviei o recorte de jornal com a matéria sobre a visita que ele fez ao...

Cronista friburguense lança livro de contos e poemas inéditos

“OLHOS FRESCOS”, que será apresentado ao público leitor na Casa Eliza Vidal, é o único lançamento da FLINF em formato de eBook  “OLHOS FRESCOS”, o livro de Marcia Savino que marca a estreia da jornalista e cronista friburguense na publicação de contos e poemas, é parte da programação da FLINF – Festa Literária de Nova Friburgo. Marcado para acontecer na Casa Eliza Vidal, no domingo, 16 de outubro, às 18h, “OLHOS FRESCOS” é o único lançamento da FLINF em formato de eBook. A ocasião está sendo preparada de forma especial, já que a data coincide, inclusive, com o aniversário da autora. No prefácio, a...

Santa sujeira, Batman!

Trabalhando em Friburgo e dividindo meu tempo na serra com a Barra da Tijuca, onde moro, tenho – como muitos friburguenses - andado regularmente na RJ 116. Subindo e descendo a serra com frequência, achei de prestar atenção à Santa que fica ali numa curva do km 60. Há muitos anos, quando a estrada era um caos, o abrigo da Santa costumava estar impecavelmente branco. Agora é o contrário. A estrada está "um brinco”. Já a Santa, um poço de sujeira, incluindo o repelente tom de azul com que pintaram a parede do abrigo. A gente não espera muito que a Ouvidoria de uma grande empresa funcione. E, na maioria das vezes, não funciona mesmo. Depois de diversas vezes passar por ali, de anotar o...

A miséria bate à porta e não dá ibope

Fala-se muito no país. De política, de corrupção. A TV fala do desemprego dia sim, dia não. Fala da alta dos preços dos alimentos, a níveis absurdos: tomates e cebolas em qualidade cada vez pior e preços cada vez maiores. Fala-se das substituições que as donas de casa têm que fazer. O fato é que tem gente com fome. Mais gente. Não se fala de pobreza e menos ainda de miséria. Exceto a miséria que se vê no planalto central do país. Sábado desses fui ao centro de Friburgo fazer compras de última hora para o aniversário da sobrinha. Um homem - talvez da mesma idade que eu (aparentando 20 anos mais) sem dentes, cabelos despenteados - passa com sacos de...

Por um punhado de hortênsias

Circula nas tais “redes sociais” (acho tão engraçada, que sinto cócegas sempre que ouço essa expressão na tv) uma linda foto da entrada de Nova Friburgo. Linda, mas linda mesmo, com o caminho repleto de generosas hortênsias azuis em ambos os lados da estrada. E mais: na pequenina faixa de terra entre o asfalto e o canteiro, estende-se um verde gramadinho. Coisa mais linda não há! Mas a foto é fictícia. Um inspirado cidadão resolveu brincar conosco e alterou a fotografia, escrevendo “Bem vindo a Nova Friburgo” na placa na entrada de Gramado-RS. Os mais antigos se lembrarão de que Friburgo já teve hortênsias ladeando a estrada na chegada. E eram lindas. Aos poucos elas...

O matagal e o Planalto

Eu queria que fosse mentira, mas não é. Queria chegar em Friburgo e não encontrar as ruas mal cuidadas e a aberração de sempre. Quem sabe um visual acolhedor, uma grama aparadinha? Tirei fotos pela janela do carro ao passar na Av. Comte. Bittencourt. Ficaram horríveis. O mato subindo pelo meio-fio, meu carro andando, as fotos tremidas, minha cidade sem vida. Normal. Enquanto isso, no mesmo horário, Lula tomava posse no Planalto. É o que me preocupa: apesar de a grama aparecer às vezes aparadinha na TV, o mato cresce alto no Planalto. Vergonhosamente, e indecentemente alto, o mato do Planalto. Poderia fazer uma brincadeira e por uma redução verbal, tirar a “vergonha” e o “indecente”,...

Passei muito tempo querendo ser cronista

Passei muito tempo querendo ser cronista, função que exerci algumas vezes ao longo dos últimos 20 anos. A primeira função do cronista é... abordar um tema. Eu, tantas vezes achei chata e arbitrária essa função, que preferi, em alguns casos também por gosto, escrever sobre a falta de assunto – o nada mesmo. Alguns leitores me compreendiam, e um elogio do polêmico e talentoso ator friburguense, Carlito Marchon, à minha capacidade de “escrever sobre nada” guardo na memória até hoje. Além do assunto, outra questão importante para o cronista é o espaço – mais exatamente, o número de linhas. Publiquei anos no “Século...

Que coisa boa!

Que coisa boa, ela disse, ao saber que eu tinha chegado. Quem me anunciou foi outra tia, também muito querida, que estava ali no quarto àquela hora. Ouvi a frase auspiciosa naquele momento, sem saber que a exclamação ficaria comigo para sempre. Ela morreu praticamente no dia seguinte. E depois do dia inteiro ao seu lado, a frase que ouvi pela manhã, foi tudo o que ela disse, fora um ou outro muxoxo de muita dor, aplacada com doses de remédio. Impensável ver assim minha madrinha. Meu anjo, meu feixe de luz, minha alegria em forma de gente, meu sorriso vermelho, minha boca grande, meu dente encavalado, meu cabelo preto, muito preto liso, curto e escorrido, minhas mãos preciosas com veias que saltavam de vida, meus gestos lindos, minha...

Sempre vai ser uma festa quando a gente se encontrar

Simone encontrou Giovanni e Marcia, os três se reuniram com Lianna, chamaram Ewaldo e Orlando, o tempo passou e a coisa parou. Por algumas semanas. Mas Simone, pelo Face, falava ora com Marcia, ora com Giovanni, unindo as pontas. Um belo sábado de sol, os três fizeram uma visita ao Colégio - naquela manhã, surpreendentemente silencioso e vazio. Não havia atividade, mas alguém especial circulava por ali, de bermuda e sandálias. A sorte, a Providência ou ambos entraram em ação. Os três encontraram o reitor, Pe.Toninho, que deu mostras sucessivas de todo o seu entusiasmo pelo Colégio, pela Festa, pela História. Foi assim que a semente inicial recebeu adubo e a data foi marcada para o feriado dali a...

Friburgo e o trânsito

A gente que é friburguense mais antigo, de vez em quando se lembra da época em que o esporte principal do prefeito recém-eleito era fazer mudanças radicais no trânsito. Se a Alberto Braune tinha sentido pra baixo e fosse eleito o opositor, era dado como certo que a avenida principal teria sua mão invertida. Isso fala muito da onipotência dos nossos governantes, porque sabem que o trânsito mexe com a vida de todos. Há um detalhe pequeno na questão do trânsito em Nova Friburgo, um detalhe aparentado com os problemas do Brasil: a educação. Melhor dizendo, a falta dela. Hoje o número de carros e ônibus aumentou e o de motos, então, é violentamente maior. Ainda têm os...

Mad Max: pelo olhar de Charlize

Não assisti a nenhum dos filmes que antecederam o último Mad Max. Na versão atual, fica claro que o herói passa o bastão a uma heroína. Seria ótimo se o filme se chamasse Furiosa, nome da personagem de Charlize Theron, em excelente interpretação e em cujos olhos, pessoas como eu se ancoram quando cedem ao gosto do marido e se dispõem a acompanhá-lo ao cinema. Porém, avisei logo: se eu não gostar ou se ficar muito impressionada, saio da sala e vou dar uma volta no shopping. Detesto filmes brutos e detesto filmes masculinos com muita luta e pouco drama, mas de vez em quando vejo alguns. Por mais ostensivo que seja, mal presto atenção ao chamado da mídia, e muitas vezes não...

Quanta ignorância, Batman!

Sempre que me sinto com os ouvidos entupidos pela ignorância no mundo, o raciocínio leva a mesma conclusão: se o povo fosse educado, não teríamos essa quantidade absurda de coisas para afligir a nossa vida. Acho que ocorre da mesma maneira com diversas pessoas sensatas que, embora não apareçam por aí com a mesma distinção de certas outras mais aparentadas com o mal, também habitam este planeta: a rendição ao pensamento de que Educação é a chave.Os governos, que via de regra propagam que farão tudo e não conseguem fazer quase nada, deveriam focar em uma coisa só: cuidar da educação. O resto vem a reboque. Mas, não. Oxalá fosse...

As Ruas e a Pátria Educadora

De tudo o que vi e ouvi sobre os protestos pacíficos e as reações mais ou menos abjetas, fiquei feliz mesmo com a faixa em São Paulo, onde li, numa foto: CADÊ A PÁTRIA EDUCADORA? Resumo aí a manifestação. Se a presidente da República e o Congresso Nacional respondessem com ações somente a esta pergunta, já estaria de bom tamanho. Mas como a gente sabe que de educadora a pátria de hoje pouco tem, o que fazer, a não ser reconhecer a fragilidade do slogan? Pensar. Pensar é algo que às vezes ajuda. Pelo que sei do que dizem os livros, a educação vem pelo exemplo. Esta é uma importante maneira de educar. O que dizer do exemplo da presidente da...

Chove, chuva

“São as águas de março, fechando o verão / É a promessa de vida no meu coração”Quanto mais calor fez em janeiro, depois de um dezembro igualmente escaldante, mais os versos de João Gilberto me vinham ao pensamento. Junto com eles, uma lembrança ainda que vaga dos livros da especialista Sônia Hirsch, que dizia sempre, meio em tom de brincadeira e outro tanto de verdade, que devíamos adicionar mais uma às quatro estações: o final do verão. Segundo ela, esse é um período especial e particular, quando as águas chegavam para lavar tudo. Isso certamente era no tempo em que as estações eram mais definidas, há poucas décadas...

Vossa Excelência, saia daí!

Sofro de uma síndrome de não sei o quê. Acho que é algo comum entre os cronistas. Inclusive, em mim, os sintomas desse mal não são novidade. Costumava usá-los como combustível para minhas crônicas levando o leitor para um passeio ao fim do texto, na intenção de garantir um bom momento de reflexão e relax. Para mim, e para quem usa um átimo do seu tempo lendo o que escrevo, pode ser divertido passear pelas palavras.Mas ando penando para redigir as últimas crônicas. O peso da responsabilidade me assola. Como admiradora inconteste de Manoel de Barros, poeta que acaba de virar passarinho*, empaco me perguntando como divagar sobre nada ou sobre as coisas desimportantes da vida ao lado das...

Nós, Mulheres, e Nossas Unhas

Nós, mulheres, padecemos de alguns males diferentes dos outros seres humanos. Ir à manicure regularmente é um deles. Pra mim, pelo menos, sempre foi um suplício ficar de mãos estendidas por, no mínimo, meia hora para sair de lá com as pontas dos dedos pintadas e brilhantes. Agora pelo menos, em alguns casos, estamos livres da obrigação de marcar esse horário na agenda, porque há lugares em que é possível ser atendida sem marcar.Mas aí... você não sabe se a manicure é boa ou ruim, rápida ou lenta, faladora ou calada, gente boa ou um porre, atenciosa ou não. Prefiro manicures rápidas, sempre. Fora isso, boa para mim é aquela que não me...

O Voto Vulnerável

Minha vontade é de fechar os olhos e dormir até depois dessa eleição passar. Não é lá uma atitude muito cívica, mas é a pura verdade. Já defini meu voto e não sou mais de ficar tentando mudar a cabeça do vizinho, como fiz no passado. Enfim, não faço campanha. Pelo menos, não de forma ostensiva. Mas apoio, com um clique ou outro, esta ou aquela opinião com que me afino e, de vez em quando, posto meu ponto de vista.No primeiro turno votei em Marina. Estou em paz com meu voto. Por algum motivo que não sei explicar, isso me parece importante. Marina migrou para Aécio sem titubear, o que consolidou a minha percepção: fiz a escolha certa. Coisas da...

Meu voto é de admiração

Convidada a externar meu voto, preciso dizer: não sei todos os motivos que me levarão a votar em quem já escolhi. Hoje em dia, apesar da eterna esperança, faço mais o tipo descrente. Há poucas semanas, em texto anterior aqui mesmo no Brasil Post, aventei a possibilidade de não votar nesta eleição. Foi mais um desabafo mesclado com simples exercício de estilo e pensamento, já que, na realidade, é muito difícil pensar em deixar de cumprir essa obrigação. É que eu levo o voto a sério - uma seriedade um pouco diferente da politicalha.Então, se as eleições fossem hoje, como dizem, eu votaria em Marina, sabendo que eleição é uma coisa e...

Inflexões e Reflexões que não servem para nada.

(Mas como estão em pílulas, podem ser úteis.) É preciso laçar a inspiração no momento exato em que ela bafeja. Caso contrário corre-se o risco de ficar à mingua, catando ideias na cabeça como cacos quebrados.*Ai, gente, nada como uma ideia velha. Tô cansada de ideia nova.*Como mandar um tweet para si mesmo?*A moda dos números: não entendo assim de moda, mas acho que estampas de números nunca fizeram muito a cabeça dos designers. Nem de letras, que são muito mais bonitas, a meu ver.*Não sei se sou em quem digo ou se eu li em algum lugar: parte do Brasil tá com complexo de Santa Tereza.*Um lugar ao sol serviria também para título.*A última foi a...

Votar pra quê?

Lá vem de novo essa gente pedir o meu voto. O meu, o seu, o nosso. Eu deveria ter mais paciência com o assunto, afinal, dependo do bom andamento da vida em sociedade. Políticos são necessários, o mundo é muito populoso, precisamos de quem nos represente. Mas desde a época da escola e dos representantes de turma que esse negócio não funciona bem. Nunca nos sentimos suficientemente representados por aquele lourinho de nariz arrebitado puxa saco da professora e eleito pela classe. Ali começa o calvário eleitoral do cidadão comum. Crescemos e levantamos bandeiras. Acreditamos. Na minha juventude era o Lula e o PT. Assinei minha ficha de filiação, mal completados os 18 anos. Por preguiça,...